Esta quarta-feira mais 2 soldados ucranianos foram mortos e outros 4 feridos durante um ataque separatista junto da linha de demarcação do cessar-fogo de Minsk. Apesar da acalmia, a tensão permanece, e tanto Kiev como os seus aliados ocidentais desconfiam da vontade dos rebeldes, e sobretudo da Rússia, de se resignarem ao cessar-fogo. A Agência Reuters havia enunciado, no passado mês de fevereiro, que tropas russas e grandes quantidades de veículos blindados estariam a ser enviados para a cidade Novoazovsk, no limite sul da linha de demarcação, junto à costa. Existe a sensação de que esta primavera haverá um novo esforço para ocupar a importante cidade portuária de Mariupol, ainda nas mãos do governo.

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O agora reformado General Wesley Clark, que comandou as tropas da NATO durante a Guerra da Kosovo e o Incidente do Aeroporto de Pristina (o que é irónico, uma vez que se considera este último incidente o mais próximo que se esteve de uma guerra com a Rússia nos anos de 1990), admitiu que Kiev esperaria um ataque dentro dos próximos 60 dias. Segundo a análise apresentada por Clark, a Rússia teria cerca de 100.000 homens na região, divididos mais ou menos equitativamente entre a zona de ocupação dos rebeldes e a Crimeia. A entrar objetivamente em ação na Ucrânia, estas tropas teriam o objetivo de não apenas ocupar Mariupol, mas de prosseguir para leste, ligando a Crimeia à Rússia por terra, e efetivamente trazendo o domínio de Moscovo a todo o leste do país, incluindo as regiões onde estão estabelecidas algumas das maiores indústrias pesadas.

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Segundo Clark, contudo, existiriam nuances ainda maiores na estratégia de Vladimir Putin caso ele de facto avançasse com um plano de tal ousadia. A deposição de Viktor Yanukovych na Ucrânia e as chamadas Revoluções Coloridas no resto da Europa de Leste desmantelaram o que Moscovo via como o seu cordão de proteção, que separava a Rússia dos seus inimigos a oeste. Com as nações da antiga União Soviética a aderirem, a pouco e pouco, à NATO, o Kremlin viu-se a mãos com o que vê como uma crise existencial. A ocupação de território na Georgia e na Ucrânia serviu para lançar um aviso, que foi respondido através de sanções que prejudicaram gravemente a economia russa.

No entanto, sabe-se que o Bloco Ocidental não é coeso. Apesar das quantidades de tropas e equipamento enviadas para o Leste da Europa, existem ainda divisões patentes no seio da NATO. Países como a Itália ou a França estão a ser severamente prejudicados pelas sanções sobre a Rússia, e problemas maiores dentro da UE correm o risco de a estilhaçar. Não é difícil imaginar que Putin e os seus assessores acreditam que se pressionarem um pouco mais conseguirão trazer ao de cima o castelo de cartas que o Bloco Ocidental realmente é, e, assim, derrubar todo o aparato.

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Não se deve ignorar, contudo, a realidade de que entre tudo isto a Rússia continua a negociar a partir de uma posição de fraqueza. Apesar dos números referidos anteriormente, a verdade é que o equipamento é, na sua maioria, antigo, e o treino das tropas sofrível quando comparado com os exércitos mais importantes da NATO. Mas a Ucrânia não estará melhor, e se a guerra regressar a esse país, é a determinação ocidental, mais que as suas capacidades militares, que irá ser posta à prova. #Política Internacional