Um barco português está envolvido no salvamento de cerca de 700 imigrantes que naufragaram neste domingo, 19 de Abril, no mar Mediterrâneo. Trata-se do segundo caso registado em poucos dias e o destino era, mais uma vez, Itália. O naufrágio ocorreu próximo do Canal da Sicília. O alerta foi dado pelo "king Jacob", que ostenta bandeira portuguesa. As autoridades temem que seja uma tragédia de grandes proporções.

Os cerca de 700 imigrantes viajavam numa traineira com destino a Itália quando esta terá naufragado a 60 milhas da costa da Líbia. A chamada de emergência para a guarda costeira italiana foi feita pelo barco português, que conseguiu resgatar 28 sobreviventes que estavam a flutuar junto de cadáveres de outras pessoas.

Publicidade
Publicidade

Os restantes continuam desaparecidos no mar, tendo sido recolhidos já mais de 20 corpos. Ao confirmar-se aquela situação, relatada por alguns dos sobreviventes, as autoridades receiam estar perante uma "tragédia de grandes proporções" sem precedentes.

Segundo relata o jornal Corriere della Sera, tratava-se de um barco de pesca do Egipto e o naufrágio aconteceu por volta da meia-noite, quando a embarcação estava a cerca de 120 milhas de Lampedusa. Para o local foram enviados vários meios de resgate e os corpos estão a ser levados para Catania. Uma operação que envolve um dispositivo naval de 17 unidades, algumas aéreas, coordenadas pelo Centro Nazionale Soccorso della Guardia Costiera.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados considerou, entretanto, que "todos os dias há um massacre nas águas do mediterrâneo".

Publicidade

Este naufrágio acontece dias depois de um outro que envolveu cerca de 400 imigrantes, que também tinham partido da Líbia com destino a Itália, quando o barco onde seguiam naufragou, tendo sido resgatados 150 sobreviventes. Entre as vítimas encontravam-se muitos jovens e cerca de 450 crianças, que na sua maioria viajavam sem a companhia de familiares.

As autoridades estimam que entre 11 e 13 de Abril terão chegado à costa italiana mais de 5.000 imigrantes, designadamente nas regiões de Lampedusa, Sicília, Calabria e Apúlia. Isto devido ao facto da situação na Líbia se encontrar sem controlo e com sucessivos casos de violência nas ruas, o que leva as pessoas a fugir do país e a refugiarem-se em Itália. Os sucessivos naufrágios ocorridos no mar Mediterrâneo levaram alguns organismos a defenderem um melhor acompanhamento por parte das autoridades marítimas italianas, mas também de toda a União Europeia, no sentido de poder responder com eficácia e rapidez a possíveis naufrágios.