Nos dias 6 e 7 de março cerca de 10 ativistas femininas chinesas foram presas em Pequim, sob a acusação de "alterar e causar problemas à ordem pública". Dessas 10, apenas 5 foram libertadas no próprio dia, as restantes 5 continuam presas. As detidas são Li Tingting, Wu Rongrong, Zheng Churan, Wei Tingting e Wang Man, e fazem todas parte do grupo "China's Women's Rights Action".

Wang Qiushi, advogado de Wei Tingting, admite que a detenção foi feita devido ao facto do governo chinês querer evitar protestos públicos, referentes ao dia internacional da mulher, comemorado a 8 de março. Estas mulheres estavam, assim, a organizar uma possível campanha destinada à luta pela igualdade de géneros, mais precisamente estavam a organizar um protesto contra o assédio nos transportes públicos, que é um problema reconhecido pelas autoridades chinesas.

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Wang Qiushi admite também que a detenção possa ter ocorrido por outros motivos, mais precisamente pelas campanhas organizadas pelas detidas entre 2012 e 2014.

A primeira mulher, Li Tingting, é conhecida por ter promovido várias campanhas, entre as quais se destacam a de 2012, "Occupy the Men's Toilets", onde reclamavam a igualdade de sanitários femininos e masculinos, exigindo mais casas-de-banho femininas por haver uma maior proporção de sanitários masculinos. Como consequência, algumas cidades prometeram aumentar o número de casas de banho para mulheres. Várias fontes afirmam que a polícia de Pequim procurou em várias cidades as mulheres que participaram na campanha "Occupy the Men's Toilets". Em 2013-2014, Li Tingting voltou a participar numa campanha, mas desta vez contra a violência doméstica.

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Li Tingting aparece com um vestido de noiva salpicado de sangue.

No passado dia 10 de abril, a polícia modificou a acusação feita a estas 5 mulheres. Elas passam a ser acusadas de "reunir multidões para atrapalhar a ordem num espaço público", que é julgado como uma acusação criminal. Deste modo, estas mulheres podem enfrentar até 5 anos de prisão. Segundo o advogado, a polícia tem até à próxima segunda-feira para decidir se as detidas vão continuar presas e ser acusadas formalmente, ou se serão colocadas em liberdade. O mesmo afirmou ainda que a polícia está a optar por insistir nas ameaças à ordem provocadas pelas detidas, indicando assim que as activistas representavam um perigo para a segurança pública.

É importante relembrar os maus tratos que têm ocorrido ao longo do tempo em várias instituições prisionais chinesas, que em casos extremos têm levado à morte dos detidos. Presume-se, assim, que a detida Wu Rongrong não tem recebido a medicação para os problemas hepáticos. Assim como se julga que Wang Man terá tido um ataque cardíaco após um interrogatório intenso.

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Por isso, a união europeia e o secretário de estado Norte-Americano, John Kerry, apelam ao governo chinês que liberte estas 5 mulheres.

De acordo com o grupo "Chinese Human Rights Defenders" (CHRD), só no ano passado mais de 1000 ativistas foram presos. O CHRD acusa ainda o presidente chinês, Xi Jinping, de provocar o "pior registo de violações de direitos humanos desde meados da década de 1990".