O julgamento de Oskar Gröning teve início esta segunda-feira, dia 21 de abril, em Luneburg, situado a sul de Hamburgo. Gröning assume em tribunal "culpa moral" devido a ter ajudado e presenciado a morte de cerca de 300 mil judeus húngaros no campo de concentração de Auschwitz. No entanto, nega ter tido uma contribuição direta no genocídio. Pede ainda perdão às vítimas de Auschwitz e a Deus.

Gröning chegou a Auschwitz em 1942, com 21 anos, e permaneceu neste campo até 1945, sendo conhecido como o "contabilista de Auschwitz", visto ser a pessoa que confiscava os bens dos detidos, enviando-os posteriormente para a SS em Berlim dando assim apoio financeiro ao regime nazi.

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No entanto por motivos "legais e de prova" apenas está a ser julgado pelos serviços prestados no campo entre os meses de maio e junho de 1944, onde cerca de 300 mil dos 425 mil judeus húngaros que foram levados para o campo foram mortos quase de imediato nas câmaras de gás.

Gröning nasceu em 1921 e foi criado pelo pai. Este era um nacionalista e, como tal, aceitou mal a derrota na Primeira Guerra Mundial. Oskar cresce assim, num ambiente belicista e anti-semita. Alista-se posteriormente nas SS, onde diz que inicialmente tinha apenas tarefas administrativas. O mesmo alega, que só algum tempo depois de ter entrado no campo de Auschwitz é que se deu conta dos horrores que lá se passavam. No entanto, com a crença que a Alemanha tinha perdido a Primeira Guerra Mundial por causa dos judeus e que o dever da Alemanha era o de destruir o judaísmo, Oskar conseguiu conviver consigo mesmo e com a situação que se passava nos campos.

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Oskar Gröning afirma ainda, que nunca recuperou a paz interior, pois sente-se culpado em relação aos crimes cometidos contra o povo judeu, mesmo não tendo sido um dos executores. Este será provavelmente um dos últimos nazis a responder pelo seu papel no holocausto.

O historiador Andreas Eichmüller, após um estudo, calcula que apenas 50 dos cerca 6500 pertencentes às SS que se encontraram em Auschwitz foram condenados. #História #Justiça