A Organização das Nações Unidas foi criada pouco depois da Segunda Guerra Mundial, e a sua principal função, grosso modo, tem passado por evitar um confronto entre as grandes potências mundiais. Para todos os efeitos, evitar uma Terceira Guerra Mundial. Em 17 de janeiro de 1946 deu-se a primeira reunião do Conselho de Segurança, cuja principal função é usualmente descrita como a manutenção da paz e da segurança internacionais. Conquanto se possa afirmar que essa função não foi, efetivamente, cumprida, tendo em conta o número de guerras que grassaram o mundo desde então, a verdade é que no geral o conselho conseguiu cumprir o seu principal objetivo de evitar novos grandes confrontos industriais.

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Por isso mesmo os 5 assentos permanentes, que possuem direito de veto, são ocupados pelos Estados Unidos da América, o Reino Unido, a França, a Rússia (antes do fim da Guerra Fria este lugar era ocupado pela União Soviética) e a República Popular da China. Existem ainda 10 membros rotativos sem direito de veto. O conselho é liderado por um presidente que muda todos os meses e cuja função é dirigir os trabalhos, para depois apresentar as resoluções aos órgãos de comunicação.

Devido à natureza eminentemente militar dos assuntos tratados por este órgão, a presença de mulheres é historicamente rara. A primeira mulher a presidir ao Conselho de Segurança foi a guineense Jeane Martin Cisse, em novembro de 1972. Mas até agora nunca houve uma mulher árabe no cargo. Durante o presente mês de abril, a posição será então assumida pela embaixadora jordana nas Nações Unidas, Dina Kawar, que tornará assim na primeira mulher árabe a presidir a este conselho.

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Tendo sido embaixadora da Jordânia em França entre 2001 e 2013, Dina Kawar foi uma das primeiras mulheres desse país a servir como diplomata, parte das reformas sociais trazidas pelo Rei Abdullah II. Também trabalhou com Portugal e com o Vaticano, e face a este novo desafio admite que o mesmo se trata de uma “honra enorme.” Numa entrevista que deu ao jornal Al Monitor, Kawar também assumiu que gostaria de ver um tratamento mais igualitário das mulheres no mundo árabe.

O início da presidência de Kawar é mercado por graves desafios a nível global, com a questão do Médio Oriente a assumir um papel principal. O conflito no Iémen tem-se tornado uma fonte de acesa discussão no Conselho, e vários pedidos surgiram para fazer vingar o que foi descrito pelo enviado russo como um “cessar-fogo humanitário.” A presidente declarou que há uma necessidade de se conseguir um findar das hostilidades, e que apesar da “preocupação” de todos os membros do conselho pela situação humanitária seria ainda necessário algum tempo para que se acorde acerca da forma que o documento sob discussão irá tomar.   #Política Internacional