Um especialista em aviação considera que o avião da Germanwings que se despenhou nos Alpes Franceses, causando a morte de 150 pessoas, pode ter sido alvo de um ataque electrónico. A teoria foi explicada numa carta enviada ao conceituado jornal Financial Times por Matt Andersson, presidente da Indigo Aerospace, construtora de jactos com sede em Chicago. A tragédia dos Alpes Franceses ocorreu num voo entre Barcelona e Dusseldorf e o co-piloto Andreas Lubitz, de 28 anos, tem sido apontado como o responsável. Os indícios apontam que Lubitz se terá barricado no cockpit do Airbus A320 antes de conduzir a aeronave até ao embate com a montanha.

Os investigadores revelaram ainda o registo de doenças mentais e o facto de o piloto estar de baixa mas não o ter comunicado à empresa.

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Andersson considera que as autoridades estão convencidas de que o aparelho "acelerou na descida" mas frisa que "poderá haver outras causas" para o acidente, "incluindo um ataque hacker externo ao sistema de controlo e navegação do avião, através de malaware ou intercepção electromagnética". "Essa é uma das razões pelas quais os aviões militares e de chefes-de-Estado têm geralmente instalados escudos específicos e outras medidas de protecção adicionais", ao contrário dos aviões civis, frisou.

O especialista defende que o público não deve fazer um julgamento antes do fim da investigação: "O público deve esperar paciente por uma investigação profunda, multidisciplinar e profissional, mantendo-se independente das hipóteses preliminares". Para justificar o seu cepticismo, Andersson lembra que as duas caixas negras do voo 9525 têm ainda de ser submetidas aos standards internacionais.

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"Até lá, as muitas asserções apresentadas ao público podem revelar-se enganadoras e, nalguns casos, levar a regulações contraprodutivas e outras reacções, como pedidos de indemnizações mal baseadas", referiu.

Desde o acidente, as autoridades europeias têm recomendado que estejam sempre pelo menos duas pessoas na cabine. Andersson critica esta decisão precipitada e lembra que a Associação Europeia do Cockpit, que representa cerca de 40 mil pilotos profissionais, também criticou a forma prematura como foram revelados os registos da caixa negra. O especialista acredita que essa divulgação "pode, sem dúvida, influenciar um julgamento técnico e formal".

Matt Andersson diz, por fim, que não é o único a considerar a hipótese de ataque hacker. O antigo piloto comercial Jay Rollins lembrou à MSNBC que um avião é altamente computadorizado. "Há uma possibilidade que ainda ninguém equacionou. Questiono-me: poderá isto ter sido um incidente de hacking?". E fez um paralelismo com a perda de drones norte-americanos no Iraque, que, consideram alguns especialistas, se devem precisamente a ataques cibernéticos. "Se alguma coisa do género estivesse a acontecer, isso seria muito complicado para o piloto", concluiu.