A antiga cidade de Nimrud é o mais recente legado histórico a ser eliminado do mapa pelo Estado Islâmico, que continua a sua saga de destruição na Síria e no Iraque. O grupo extremista sunita divulgou um vídeo que mostra os militantes a destruir artefactos com martelos. Depois, uma explosão parece destruir por completo o local. A missão era clara: "Deus honrou-nos, no Estado Islâmico, para removermos este ídolos e estátuas adorados no passado em vez de Alá", afirma um militante no vídeo

O Estado Islâmico, que controla cerca de um terço do Iraque e da Síria, tem vindo a destruir templos cristãos e judeus no seu autoproclamado califado porque, dizem, esses locais promovem a idolatria e violam a sua interpretação das leis islâmicas.

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No entanto, pode haver outro motivo para estes actos de "limpeza cultural", aparentemente em nome da religião. O Estado Islâmico é acusado de hipocrisia pelas autoridades, que alegam que os militantes da organização terrorista estão a saquear estes sítios arqueológicos para financiar as suas atrocidades. Vejamos algum património que o grupo já destruiu.

Nimrud

Muitas relíquias de Nimrud, que foi fundada no século XIII antes de Cristo e foi um dos sítios arqueológicos mais famosos do Iraque, estão em museus estrangeiros. No entanto, várias estátuas gigantes, representando corpos de leões ou touros com asas e cabeças humanas, e outras peças foram transformadas em fragmentos por explosivos do Estado Islâmico. Crê-se que os militantes do grupo terrorista controlam cerca de 15 por cento dos 12 mil sítios arqueológicos registados no Iraque, um país apelidado de "berço da civilização" pela sua importância histórica.

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Historiadores temem que nenhum desses locais esteja seguro e que uma destruição semelhante esteja a acontecer nas áreas controladas pelos jihadistas na vizinha Síria.

Hatra

Há uma semana, o Estado Islâmico divulgou mais um vídeo que mostra a destruição de Hatra, uma cidade com mais de dois mil anos, no norte do Iraque. Tal como Nimrud, Hatra é considerada património da humanidade pela UNESCO. A sua destruição foi considerada um "crime de guerra" pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon.

Khorsabad

No mês passado, o Estado Islâmico pilhou o antigo sítio arqueológico de Khorsabad, perto de Mossul. Khorsabad foi construída como a nova capital da Assíria pelo Rei Sargon II pouco depois de subir ao trono, em 721 antes de Cristo, e abandonada após a sua morte, em 705.

Mossul

Em Fevereiro, o Estado Islâmico publicou mais um vídeo que mostra os seus militantes a destruírem estátuas no museu da cidade de Mossul. A legenda diz que os artefactos não existiam no tempo do profeta Maomé e foram colocados em exposição pelos "adoradores do diabo", um termo utilizado pelo Estado Islâmico para descrever a minoria Yazidi no Iraque.

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No mesmo mês, o grupo terrorista destruiu mais um pedaço da história iraquiana ao queimar milhares de livros e manuscritos raros na Biblioteca de Mossul. A UNESCO disse que a queima dos documentos, que incluíam manuscritos do século XVIII e livros do período Otomano, poderá ser "um dos mais devastadores actos de destruição de colecções de bibliotecas na história humana. As autoridades temem que mas 112 mil manuscritos, alguns inscritos na lista de raridades da UNESCO, possam ter sido perdidos. Em Julho do ano passado, os jihadistas destruíram um templo muçulmano em Mossul, onde se crê estar enterrado o profeta Jonas, que, na Bíblia e no Corão, foi engolido por uma baleia. Os residentes dizem que os guerrilheiros ordenaram a saída de toda a gente que estava na mesquita e depois destruíram-na com uma explosão. #Terrorismo