Relatos de uma situação desumana e assassínios em massa estão a chegar do campo de refugiados palestinianos de Yarmouk, na Síria, a poucos quilómetros do palácio do presidente Bashar al-Assad. Os combatentes do Estado Islâmico invadiram o campo, que estava controlado por rebeldes sírios e cercado pelo exército sírio há dois anos, e iniciaram o massacre dos refugiados. Há relatos de decapitações e mais de mil mortos, segundo várias fontes.

Não há água nem comida e poucos medicamentos. "A situação no campo é mais que desumana. As pessoas estão encurraladas dentro de casa, há lutas nas ruas", disse o porta-voz das Nações Unidas, Chris Gunness, citado pela NBC News.

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"Há relatos de bombardeamentos", adiantou, revelando que apenas foram evacuadas pela agência 93 pessoas. Pelo menos dois mil palestinianos já fugiram, mas há ainda 18 mil refugiados no campo e a situação é dramática. O Estado Islâmico começou a decapitar os reféns e, para piorar a situação, o governo sírio está a bombardear o campo, numa tentativa de repelir os rebeldes islâmicos às portas de al-Assad.

Ahmed Tibi, político árabe do partido Movimento Árabe para a Mudança, com assento no parlamento de Israel, já veio denunciar o silêncio e inacção do mundo árabe. "Sinto raiva e muita tristeza quanto ao que está a acontecer no que resta do campo", afirmou. "Há aqui um standard moral duplo. Se as vítimas não fossem palestinianas, tudo seria diferente".

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que está sedeado no Reino Unido, os terroristas do grupo Jabhat al-Nusra e combatentes do Estado Islâmico controlam agora 90% do campo de Yarmouk, na província de Damasco, após "combates violentos" durante o fim-de-semana de Páscoa.

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A aliança é estranha, visto que o Estado Islâmico e este grupo afiliado com a Al-Qaeda, Jabhat al-Nusra, têm-se confrontado noutras partes da Síria.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se de emergência esta segunda-feira por causa da crise humanitária e recebeu o apelo do embaixador palestiniano nas Nações Unidas, Riyad Mansour: é preciso providenciar a passagem segura dos milhares de refugiados para outras regiões. Mansour disse aos jornalistas que salvar estes refugiados é a prioridade do seu governo.

Ainda esta segunda-feira, dezenas de palestinianos manifestaram-se junto à sede das Nações Unidas em Gaza, em sinal de apoio aos refugiados na Síria, segundo a NBC News. O activista Hatem al-Dimashqi, que se encontra perto da área, confirmou que a força aérea do governo sírio está a bombardear o campo desde Domingo, deixando os refugiados ainda mais encurralados.

Este campo tinha meio milhão de palestinianos em 2011, quando se iniciou o conflito entre o governo e os rebeldes sírios, guerra que já matou mais de 220 mil pessoas. Campos de refugiados, como o de Yarmouk, foram criados durando o êxodo de palestinianos entre 1947 e 1949, durante a guerra israelo-árabe (êxodo que incluiu árabes e judeus).

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Tanto a Síria, como o Líbano, países que receberam refugiados árabes, recusam dar-lhes cidadania, mesmo após várias gerações. #Crime #Política Internacional