Apesar de todo o esforço já despendido para treinar e equipar os Curdos Pershmergas no Norte da Síria e do Iraque, a verdade é que parece que a guerra contra o auto-proclamado Estado Islâmico está ainda para durar. Tal facto pouco interessa aos Estados Unidos da América, pois quanto mais tempo se arrastar o conflito em questão, mais entranhado o seu legado ficará no substrato do Médio Oriente, incluindo a já considerável influência iraniana em Bagdade e Damasco. Portanto, interessa a Washington que surja uma vitória rápida e considerável. Por isso mesmo, começaram a criar-se esforços para voltar a armar os rebeldes sírios, desta feita para combater, sobretudo, o EI, deixando a questão do regime de Bashar al-Assad para uma data posterior.

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Desde Junho passado, o governo de Barack Obama já terá gasto mais de mil milhões de euros com vista a criar uma força de 15.000 militantes rebeldes.

No entanto, todo o plano está sujeito a críticas intensas por parte de vários sectores da autoridade americana e internacional. O ceticismo vem, acima de tudo, do facto de que tal exército rebelde ainda não existe, apesar dos gastos e do envolvimento da Turquia e da Arábia Saudita, países que, não obstante a comum inimizade para com o EI e o Irão permanecem, para todos os efeitos, rivais. Para além disso, os próprios rebeldes sírios parecem não concordar com as prioridades de Washington. De facto, o EI é visto como um inimigo a eliminar quando possível, mas é Damasco que é visto como o maior prémio, sobretudo agora que os esforços jihadistas parecem ter enfraquecido severamente as forças governamentais, apertando o cerco à capital.

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Foi contra o regime que as forças rebeldes iniciaram a sua luta, e a eliminação de Assad e o estabelecimento de um novo governo ainda parecem ser a maior prioridade dos grupos rebeldes.

Mesmo assim, a capacidade que estes homens e mulheres teriam para levar a cabo tais ambições é igualmente questionada. Damasco ainda controla o poder aéreo na Síria, e continua a usar essa aviação para levar a cabo ataques contra os rebeldes (ainda ontem caças turcos intercetaram um Su-24 sírio que levava acabo operações perto da fronteira), e ainda não se sabe se a aviação americana iria ajudar as milícias nessa frente. Convém lembrar que as aeronaves de combate sírias e a coligação que tem vindo a atacar as posições do EI se têm tolerado mutuamente nos últimos meses, e pouco se sabe sobre o que sucederia se realmente houvesse uma mudança de atitude nessa questão.

Por fim, convém lembrar que os rebeldes sírios estão muito longe de formar um grupo coeso. A situação militar na Síria é caótica, com o governo e o EI a poderem ser vistos como os grupos mais homogéneos, com o território fora das suas mãos a ser controlado por uma manta de retalhos de milícias literalmente de todas as formas e feitios.

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Tentar formar um comando coeso a partir desta realidade será extremamente complicado, e teme-se que as constantes mudanças de alinhamento possam levar a que armas americanas caiam nas mãos de poderes inimigos de Washington, como o próprio EI. A isto deve-se somar a questão da influência política dos países em redor da Síria, com a Turquia, a Arábia Saudita e o Irão, entre outros, a fazerem esforços para mudar as alianças destes grupos. Certamente que os EUA têm um plano a longo prazo para a região (assim como a falta de interesse em comprometer tropas ocidentais), a questão é se continuará a ser relevante por muito tempo. #Terrorismo #Política Internacional