Segundo um estudo de 2013, que foi divulgado este domingo pelo diário alemão Bild, a maioria dos pilotos que sofreram algum tipo de depressão não comunicaram essa informação aos seus empregadores e continuaram a voar. Foi o que terá acontecido com o copiloto da companhia Germanwings, Andreas Lubitz, que fez várias pesquisas na internet sobre métodos de suicídio. Além disso, ainda foi encontrado no seu domicílio uma baixa médica para o dia da catástrofe, uma vez que se encontrava em tratamento, situação desconhecida pela entidade empregadora. Recorde-se que Andreas Lubitz foi responsável por ter tirado a vida a 150 pessoas, incluindo a sua, quando propositadamente fez despenhar o avião que pilotava nos Alpes franceses.

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Segundo este estudo, baseado na análise de 1200 casos de pilotos com depressão, entre 1997 e 2001, cerca de 60% escondeu a doença dos seus empregadores. Como motivos avançados para que tal aconteça têm sido apontados a forte pressão a que estão submetidos, como ainda o facto de serem afastados do serviço caso comuniquem a existência desta doença. Neste estudo foram avançados outros números: apenas 25% declara ao empregador que está a fazer tratamento, enquanto 15% opta por tratar-se em segredo. Anthony Evans, diretor do departamento de medicina da Organização Civil Internacional de Aviação, chama ainda a atenção para o acompanhamento muito insuficiente que é dado aos pilotos em matéria de saúde mental.

A União Europeia tem apontado deficiências à Alemanha relativamente ao acesso a dados das transportadoras aéreas, nomeadamente historiais médicos e informações relativamente aos médicos aprovados.

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Este caso veio dar razão a estas críticas, na medida em que o historial médico de Andreas Lubitz estaria na posse da escola de voo da Lufthansa, controladora da Germanwings, que tinha sido informada da sua suspensão da formação em 2009 devido a razões psicológicas, pelo que a companhia de aviação alemã devia ter acesso a esta informação. Para já não tem sido claro em que medida a existência destas deficiências encontradas terá contribuído para a catástrofe dos Alpes franceses.