O combate contra o Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque é caracteristicamente confuso, sendo composto de várias frentes em que participam países que tendo na derrota da organização um objetivo comum, não são, ainda assim, necessariamente aliados. As ações iniciais da organização e o caos inerente às ações nesses países durante o inicio da década levaram a que as tropas sírias e iraquianas não tivessem nem os números, nem a capacidade organizativa para pressionar o EI. E apesar dos Estados Unidos e dos seus aliados terem levado a cabo uma já longa campanha de bombardeamentos, Washington continua reticente em implicar tropas no terreno (com exceção das parcas unidades operações especiais que são sempre ativadas nestas ocasiões).

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Neste contexto, coube aos poderes regionais avançar com os homens necessários para levar a cabo as importantes operações terrestres.

Vendo uma oportunidade para ter um papel mais direto nas ações militares e políticas dos estados do Levante, o Irão rapidamente avançou com tropas, que se tornaram bastante relevantes nos teatros do Iraque e da Síria. No primeiro caso, estas tropas estiveram recentemente envolvidas na libertação de Tikrit, ironicamente combatendo ao lado dos Estados Unidos, cujas aeronaves ofereciam o tão importante apoio aéreo. A situação na Síria foi mais complexa, com assessores iranianos a agirem no terreno quase desde o início da guerra civil, ainda antes de o EI se tornar um fator. Também agiram em proximidade com militantes do Hezbollah, igualmente inimigos dos jihadistas Sunitas.

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Esta proximidade entre os inimigos de Israel que combatem o EI, levou a diversos incidentes preocupantes nos últimos meses. Oficiais iranianos foram mortos por ataques aéreos israelitas em território sírio, e na tensa região dos Montes Golã, no Norte do estado judaico, deram-se tiroteios ocasionais. Recorde-se que esta região foi capturada à Síria na Guerra dos Seis Dias em 1967.

Nos últimos dias o EI realizou ataques audazes a áreas que o governo de Bashar al-Assad tem conseguido manter sob o seu controlo, em redor de Damasco (onde se inclui um campo com 18.000 refugiados palestinianos) e junto da fronteira com a Jordânia. Oficialmente para reagir a esta realidade, tropas do Irão e do Hezbollah, aliados de Damasco, moveram-se para junto dos Montes Golã para, oficialmente, expulsarem os militantes. A proximidade dos mesmos para com a sua fronteira, contudo, preocupa gravemente Telavive.

Desde o início do conflito na Síria que Israel se mantém alerta em relação aos eventos que transpiram a Norte, tendo inclusive atacado transportes com armamento para o Líbano, onde o Hezbollah está sediado.

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Teme-se que se possam iniciar ataques ao estado judaico no futuro próximo, desta feita com um apoio muito mais íntimo de Teerão, envolvendo disparos de até 1500 rockets por dia, causando centenas de vítimas em Israel, mesmo com as fortes defesas que o país possui. Tais gastos representariam o esgotar do arsenal do Hezbollah em poucos dias, mas tendo em conta os estragos que os contra-ataques causariam, talvez essa estratégia faça algum sentido. Apesar de ser um cenário hipotético, para já, é levado a sério, daí os receios causados pelas movimentações a Norte dos Montes Golã.

Por fim, Telavive teme que a possibilidade de um acordo com Teerão e a mudança da estratégia dos EUA na região signifique se tornarão mais clementes com os estados muçulmanos, em deterioramento das relações com Israel. #Política Internacional