No início deste ano, um incidente em que a marinha sueca perseguiu um suposto submersível não-identificado no Mar Báltico ganhou algum mediatismo, uma vez que surgiu a meio de um incremento da violência na Ucrânia. Em resposta a um endurecimento da retórica ocidental em relação ao seu envolvimento nesse conflito, Moscovo ampliou as suas patrulhas aéreas e marítimas. Desde o início que se suspeita que o veículo supostamente observado, mas nunca identificado na costa sueca, seria um submarino russo, provavelmente alguma embarcação de combate anti-navio, de pequeno calado. O incidente que decorreu esta semana na costa finlandesa traz ao de cima recordações desse caso, ainda para mais porque, tal como sucedeu há uns meses atrás, vem no encalço de um ampliar da tensão em relação à questão ucraniana.

Segundo informações veiculadas pela marinha finlandesa, navios de patrulha haviam detetado a presença de um submersível não-identificado ao largo de Helsínquia na noite de segunda-feira, tendo conseguido intercetar a embarcação na manhã de terça-feira.

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De seguida, as tripulações finlandesas lançaram uma série de cargas de profundidade com o objetivo de dar a entender à tripulação do submarino que o mesmo fora detetado, mas sem intenção de causar estragos, segundo foi declarado pelo Comodoro Olavi Juntunen. O objeto eventualmente desapareceu, mas permanecem suspeitas de atividade naval não autorizada na região.

Convém ter em conta que, como outros países da região, a Finlândia possui uma #História conturbada com a Rússia. Em finais de 1917, durante a Guerra Civil Russa, o território declarara a sua independência, levando a uma curta, mas mortífera, guerra civil. Em finais de 1940, o pequeno e mal equipado exército finlandês conseguiu, em grande medida, neutralizar uma invasão soviética, facto que ajudou a unificar a ainda dividida população.

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Desde o final da Segunda Guerra Mundial que Helsínquia gere o seu relacionamento com a NATO e com Moscovo, mas a ressurgência do nacionalismo russo sob o regime de Vladimir Putin gerou algum nervosismo. No último ano deram-se dezenas de incidentes entre as forças armadas de ambas as nações, incluindo encontros entre aeronaves e navios.

A situação dos submarinos russos, supondo que de facto o são, gera ainda maior preocupação após Washington ter declarado que iria passar a identificar os rebeldes pro-russos na Ucrânia como tropas russas. Convém aqui ter em conta que diversas organizações de análise política já haviam há bastante tempo declarado que tal seria, de facto, a realidade no terreno, utilizando o caso da Crimeia como um exemplo de uma situação em que tropas russas eram abertamente usadas para ocupar território estrangeiro. O Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, também declarou que a guerra no Leste poderia recomeçar a qualquer momento, apontando para os recentes tiroteios como um sinal.

Entretanto, Moscovo parece procurar estreitar ainda mais os laços com os seus aliados.

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Foi esta quinta-feira revelado que as marinhas russa e chinesa planeiam efetuar exercícios conjuntos no Mediterrâneo a meados de maio, os primeiros de sempre nesta região para as duas forças. O exercício será designado de "Mar Conjunto 2015" e envolverá 9 vasos de guerra. Recentemente, a marinha da República Popular da China juntou-se aos esforços para combater a pirataria, enquanto também faz por se estabelecer como uma potência de alcance global. #Política Internacional