Na passada quinta-feira a organização terrorista al-Shabaab lançou um brutal atentado contra a Universidade de Garissa, no Quénia. Quatro militantes abriram fogo sobre os dois seguranças, posteriormente considerados insuficientes, voltando depois as suas armas para os estudantes. Escolheram os cristãos, executando-os, permitindo, no processo, que alguns dos alunos muçulmanos escapassem ao massacre, que terminou com 148 vítimas mortais. Apesar das críticas acerca da lentidão da sua reação, as autoridades afirmaram que agiram o mais rapidamente possível, estando no local do incidente em poucos minutos. Seguiram-se intensos tiroteios, que culminaram na morte de todos os atacantes.

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As reações a nível nacional foram rápidas e emotivas. O governo queniano colocou um prémio no valor de 200 mil euros sobre Mohammed Mahamud, visto como o homem por trás do atentado. Admitindo que as forças da autoridade seriam insuficientes para lidar com todos os problemas que o país enfrenta, o presidente Uhuru Kenyatta também decretou um plano de recrutamento com vista a admitir mais 10 mil pessoas na polícia. Decretou igualmente 4 dias de luto nacional.

Tendo em conta o profundo impacto deste atentando, as represálias não se fizeram esperar. Tenha-se em conta que o Quénia faz fronteira com a Somália, país onde o al-Shabaab surgiu e onde tem as suas bases. Como parte das nações da União Africana que lutam contra o grupo nesse país, tem, ao longo dos anos, lançado ataques contra as suas atividades.

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No entanto, os bombardeamentos da noite de domingo passado foram uma reação direta ao atentado de Garissa.

Formações de caças quenianos (os vetustos mas eficientes F-5s) bombardearam dois campos do al-Shabaab na Somália, tendo sido relatada a total destruição dos mesmos. Não se conhecem baixas entre os militantes, mas as forças armadas quenianas declararam que a campanha continuaria. Como sempre sucede nestes casos, foram também reportadas baixas civis, sendo relatados ferimentos numa mãe e seus dois filhos. Também se fala na destruição de colheitas e outros estragos.

Para além das ações militares, as autoridades quenianas e internacionais reconhecem que serão necessários outros esforços para diminuir o ímpeto jihadista. Hassan ole Naado, do Conselho Supremo dos Muçulmanos Quenianos, afirmou que grupos como o al-Shabaab não têm problemas em recrutar jovens desempregados e desesperados, oferecendo muito pouco para o conseguir. Também disse que o seu grupo estaria a preparar uma contra-narrativa para se opor à oferecida pelos jihadistas.

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Vários outros líderes muçulmanos também têm, nos últimos anos, vindo a opor-se aos discursos dos radicais da sua religião, sugerindo que estes últimos estariam a tentar forçar um choque de civilizações, que pouco dignificaria a sua religião.

Apesar de lentamente, pelo menos quando comparado com outros incidentes desta idade da Internet, o caso tem granjeado alguma atenção internacional. Assim como a escala da mortandade, também choca a execução propositada de cristãos, que compõem a maioria religiosa no Quénia. Este caso e outros similares no Norte de África e Médio Oriente levaram o Vaticano a tomar uma posição, tendo o Papa denunciado o silêncio para com tais casos. #Terrorismo