A República Popular da China (RPC) tem recentemente ampliado os seus interesses territoriais para uma série de ilhas no Mar do Sul da China, que lhe permitiriam expandir consideravelmente a sua zona económica exclusiva. Infelizmente, tais desígnios entram em choque com os interesses dos seus vizinhos, inclusive levando ao ressurgir de velhas questões históricas. Um dos pontos de tensão nesta questão refere-se às Ilhas Spratly, cujo controlo é também disputado com as Filipinas, o Vietname e Taiwan. Recentemente esta disputa chamou a atenção dos media, quando se descobriu que as forças armadas da RPC estavam a construir uma base aérea no Recife Mischief capaz de suportar operações de bombardeiros de longo alcance, isto apesar de ainda não ter sido tomada uma decisão final acerca da posse do arquipélago.

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Não obstante, a RPC tem procedido igualmente à construção de ilhas artificiais, de modo a montar uma rede de bases avançadas e defesas que o Comandante de Frota Harry Harris da Marinha dos Estados Unidos descreveu como a "Grande Muralha de Areia". Tais estruturas teriam começado a ser montadas em meados dos anos de 1990, mas teriam sofrido fortes incrementos nos anos mais recentes. Já em 2014 o Secretário de Estado John Kerry havia denunciado estas ações, declarando que se deveriam parar todas as reclamações e reforços militares no Mar do Sul da China, de modo a evitar escaladas de tensão.

Em resposta, Pequim reforçou a sua retórica, declarando que as suas ações eram legais e justificadas, não obstante o choque direto com Manila, Hanói e Taipé, também eles possuindo tropas e bases na região.

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É interessante verificar que esta quinta-feira as autoridades da RPC fizeram uma rara descrição destes projetos de construção, dizendo que eram sobretudo de natureza científica e de ajuda marítima. Sabe-se, contudo, o quão facilmente se pode perverter tais iniciativas para usos militares.

Como sucede em Spratly, também nas ilhas conhecidas no Japão como Senkaku existe um foco de tensão. Este arquipélago fica muito mais próximo da China continental, e a meros 220 quilómetros de Taiwan, que também clama pelo controlo das mesmas. Visto ser aliado de Tóquio, e com vista à sua estratégia de contenção de Pequim, Washington apoia o controlo japonês das ilhas.

Por outro lado, caças americanos fizeram recentemente uma passagem por Taiwan, país que representa o último resquício da República da China, que o regime comunista falhou em destruir durante a guerra civil, nos anos de 1940. Contudo, esta posição causou irritação junto das autoridades chinesas, que também esta quinta-feira declararam que os EUA não deveriam tomar uma atitude unilateral em relação ao assunto, e que "deveriam falar e agir com precaução", mantendo-se de fora das discussões regionais.

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Existe aqui uma ameaça não tão subtil, que certamente não cairá bem junto das autoridades americanas. Da perspetiva chinesa, a expansão é a única opção real, tanto em termos territoriais como económicos. Isto sucede devido às nuances histórias e sociais com que o território sempre lidou ao longo da sua existência. Sempre que a China parou de se expandir tendeu a minguar logo de seguida. Para além disso, o contrato social relacionado com a manutenção de empregos, que é o que sustenta o regime comunista, poderá não se conseguir manter se o crescimento económico descer muito abaixo dos dois dígitos, daí o interesse na expansão territorial e domínio de novos recursos. #Política Internacional