A XVII Cimeira das Américas, no Panamá, foi histórica: primeiro por causa do degelo nas relações entre os Estados Unidos e Cuba, que participa pela primeira vez; e, segundo, porque os países sul-americanos nunca estiveram tão divididos. Depois do famoso aperto de mão de Raul Castro e Barack Obama, no funeral de Nelson Mandela, em dezembro de 2013, a situação evoluiu bastante. Os dois presidentes reencontraram-se no Panamá, pela primeira vez, oficialmente, depois do anúncio do fim do embargo e da reabertura das respetivas embaixadas, no dia 17 de dezembro de 2014.

A maioria dos sul-americanos, que reclamava a reintegração de Havana nas instâncias regionais, aplaudiu o encontro, mas os anti-castristas e dissidentes em geral criticam-no. Houve mesmo confrontos.

A Cimeira das Américas, em que se reúnem, todos os três ou quatro anos, os chefes de Estado e de governo de 35 países do continente americano, realiza-se desde 1994. Pretende abrir uma janela de diálogo que respeite os princípios da democracia e do comércio livre.

Na cimeira de 2009, em Trinidad e Tobago, Obama fez a sua estreia. A ocasião foi marcada por uma reunião histórica com o líder venezuelano, Hugo Chávez, sete anos depois da tentativa de golpe para o derrubar. Este ano, um enviado norte-americano esteve em Caracas, a preparar a aproximação de Barack Obama e Nicolás Maduro. Este ano, a crise do petróleo, o abrandamento do crescimento e as tensões na Venezuela, Brasil e Argentina, estão no centro do debate.

Um dos grandes protagonistas dos últimos anos foi o Brasil. A cimeira realiza-se num dos piores momentos da vida política de Dilma Roussef, por causa do escândalo de corrupção na Petrobrás, de uma inflação de 8,1% e do desemprego que aumenta.

A reunião teve o seu ponto alto no aperto de mão que serve de prelúdio para um encontro histórico. Para além da saudação, Barack Obama e Raul Castro trocaram algumas palavras por ocasião da abertura da Cimeira das Américas, no Panamá, que deverá consagrar a reaproximação anunciada em dezembro entre os Estados Unidos e Cuba, antigos inimigos da Guerra Fria. O encontro oficial previsto para este sábado será o primeiro entre um presidente norte-americano e o homólogo cubano em mais de meio século.

Obama frisou que respeita "as diferenças entre os dois países. Os dias em que a agenda para este hemisfério presumia, muitas vezes, que os Estados Unidos se podiam intrometer com impunidade, fazem parte do passado. Os Estados Unidos iniciam um novo capítulo nas relações com Cuba e esperam que crie um ambiente que resulte numa melhoria das vidas do povo cubano".

Os chefes da diplomacia dos dois países reuniram-se já na quinta-feira, para debater nomeadamente a reabertura de embaixadas. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que pretende apresentar uma petição a Obama a pedir a retirada das sanções impostas no mês passado por Washington a Caracas, visitou o monumento que honra as vítimas da invasão norte-americana no Panamá, em 1989.

O presidente do Panamá deixa uma mensagem: "A mensagem que a América envia a esta cimeira é muito importante. Estamos prontos a pôr de lado as nossas divergências ideológicas e políticas para nos concentrarmos no bem-estar dos povos deste continente. Penso que há uma aproximação e apoiamos os presidentes Obama e Castro nos esforços empregues para estabelecer relações diplomáticas". #Política Internacional