Hillary Rodham Clinton lançou a candidatura à presidência dos Estados Unidos sublinhando a ideia de que ela será a campeã do povo, do americano comum. Mas as reações no Twitter tomaram uma direção curiosa: imediatamente após o anúncio, a hashtag #WhyImNotVotingForHillary chegou à liderança dos tópicos mais discutidos a nível mundial. Por outro lado, a antiga primeira-dama foi presenteada com uma forte rede de apoio por parte das personalidades mais conceituadas de Hollywood, que não fazem propriamente parte da classe média. Entre elas estão os atores Amy Poehler, Kerry Washington, America Ferrara, Olivia Wilde e Lena Dunham; as cantoras Katy Perry, Jennifer Lopez e Carole King ou o desportista Magic Johnson.

Publicidade
Publicidade

Mas os nomes mais sonantes até ao momento são Steven Spielberg e Jeffrey Katzenberg, dois monstros do mundo do cinema e com muitos dólares para oferecer à campanha de Hillary. "Tenho sido inundado com mensagens de pessoas que se disponibilizam para organizar eventos de angariação de fundos para Hillary Clinton", disse Andy Spahn, consultor político e conselheiro de Spielberg e Katzenberg. "Há um enorme respeito e admiração em torno desta candidatura e um claro entendimento daquilo que está aqui em jogo".

Em 2008, a indústria do entretenimento angariou cerca de 51 milhões de dólares, 79% dos quais foram para o Partido Democrata. À entrada para o segundo mandato de Barack Obama, os #Famosos juntaram 66 milhões, com 73% desse montante a ir parar às mãos dos liberais.

Publicidade

É claro que existe o risco de todo este apoio vindo das mais altas personalidades americanas ter um efeito negativo para a ex-Secretária de Estado. Hillary quer garantir os votos da classe trabalhadora, que poderá não se rever neste frenesim mediático. Durante a campanha de 2008, os republicanos acusaram Obama de estar mais preocupado com a fama do que com o país. Hillary Clinton vai querer evitar essas críticas.

Mesmo as celebridades que não apoiam para já Hillary votarão sempre no Partido Democrata

Já se sabe que Hollywood é um espaço declaradamente liberal e, ao contrário de 2008, Hillary agora não tem concorrência. Por isso é de esperar que a gigantesca maioria dos famosos fique do seu lado. Além do mais, há sempre o fator mulher-presidente que Hollywood quererá potenciar.

Mesmo os mais progressistas, que veem Hillary Clinton como uma candidata demasiado moderada, não falharão a dar a cara se de facto ela vier a confirmar a nomeação democrata. O ator Mark Ruffalo é exemplo disso: "Espero que Elizabeth Warren se candidate e lute pelas primárias, acho que isso seria bom", disse.

Publicidade

Especificidades à parte, o importante para Hollywood será que um democrata continue a habitar a Casa Branca. O consultor político Donna Bojarsky explica ao LA Times: "Os Republicanos dominam neste momento o Congresso e há a perspetiva de os conservadores levarem a cabo políticas que são pouco populares em Los Angeles. A motivação para garantir a eleição de um democrata será extremamente alta, será quase uma obsessão". #Política Internacional