Oskar Gröning, de 93 anos, é acusado de ter desempenhado um papel decisivo na morte de 300 mil judeus durante o Holocausto. Começou na manhã desta terça-feira o julgamento, no Tribunal de Lüneburg, Alemanha, e o homem assume agora sentir "remorsos". Gröning entrou como voluntário nas SS, as forças nazis, e cooperou no campo de concentração de Auschwitz durante dois anos. Entre as suas funções estava a de tirar a roupa dos judeus quando chegavam; ajudava a escolher quais os que iam trabalhar e quais seriam imediatamente mortos. Alguns sobreviventes e familiares de vítimas do Holocausto têm lutado há décadas por #Justiça. E foi essa espera de mais de 70 anos que fez sentar Oskar Gröning no banco dos réus.

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"Sem dúvida que sou moralmente cúmplice no assassinato de milhares de Judeus, através da minha actividade em Auschwitz. Além das vítimas, também admito esta culpa moral, com remorsos e humildade. Sobre a questão de eu ser criminalmente culpado, cabe-vos a vós decidir", declarou Oskar Gröning ao juiz.

A declaração do homem de 93 anos chegou após um relato detalhado, de 50 minutos, sobre a sua passagem pelo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Neste relato ficou a conhecer-se como é que ele entrou neste campo de extermínio, bem como as suas tentativas de ser transferido para outro lado, devido às atrocidades a que alegadamente assistiu. Seria um cenário de horror, onde diz ter visto um colega das SS a bater num bebé até à morte.

Este será um dos últimos julgamentos nazis na Alemanha e está a ser observado de perto por historiadores, especialistas do Holocausto e advogados dos direitos humanos de todo o mundo. No entanto, apesar de toda a atenção mediática que este processo está a causar, o juiz Frank Kom Pisch fez questão de frisar a todos os presentes que se trata de "um caso fácil", não se devendo entrar em exageros: "Devemos recordar que é apenas um julgamento criminal, apesar de todo o contexto histórico envolvente".

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Este julgamento marca a segunda tentativa de condenar Oskar Gröning, numa investigação que começou em 1978, mas que fracassou sete anos depois, por não haver provas de que o homem fosse directamente responsável pela morte dos prisioneiros. Mas, depois de em 2012, o Tribunal de Munique ter condenado John Demjanjuk por ser cúmplice de assassínio de massas, por trabalhar num campo de concentração, abriu-se uma nova porta para a condenação de Gröning.