A epidemia do ébola é mais grave do que se pensa, advertiu o Dr. David Nabarro, enviado especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Ébola. As doenças zoonóticas (transmitidas de animais para humanos) serão mais frequentes, pelo que a humanidade se deve preparar para um alastramento da epidemia, advertiu o cientista. Em entrevista ao The Independent, Nabarro afirmou que o fenómeno é explicado pelas mudanças climáticas que podem exacerbar o surto de epidemias, mas também pela alteração sócio-económica dos países onde a epidemia está a ser detectada. "O ébola não é a única doença transmissível, afirmou Nabarro, "eu tenho lidado com gripes do tipo Sars e Mers, e elas são a ponta do iceberg". 

A explicação para o surto do ébola continua nebulosa. A comunidade científica pergunta-se porque motivo a epidemia do ébola nunca tinha sido tão pestilenta e mortal como desde há um ano. Há cientistas que denunciam o Ébola como uma doença artificial, resultado de um vírus criado em laboratório, para se difundir como arma química. Mas a mais difundida explicação continua a ser a acção da indústria da desflorestação na Serra Leoa, Libéria e Guiné, que, combinada com alterações climatéricas, "afectou os comportamentos biológicos de morcegos que teriam gerado o vírus Ébola".

O despovoamento agrícola, forçado pela mudança do clima, altera o modo de relacionamento entre humanos e animais, favorecendo as condições propicias à epidemia. Mas também a devastação da floresta e a actividade de empresas de mineração potenciam o contacto da humanidade com o vírus nas zonas naturais virgens, nunca antes exploradas, referiu o Dr. Peter Daszak, Presidente da EcoHealth Alliance, uma empresa de investigação científica.

O Dr. Nabarro confessa-se, no entanto, surpreendido por haver tão baixo investimento no combate às causas do ébola, "em comparação com o investimento à ameaça terrorista que é bastante mais elevado". A Guiné tem sido o país mais esquecido, disse o Dr. Nabarro, sendo o país onde surgiu o primeiro caso e onde há mais casos é o país que tem menos financiamento. Algo se passa, disse o Dr. Nabarro, mostrando preocupação por a Guiné esta a ser desprezada em termos de financiamento internacional.

O Ébola já matou 10.500 vidas anunciou a Organização Mundial de Saúde. E notícias recentes tem confirmado que a periculosidade do ébola se estende aos mais preparados voluntários médicos e especialistas. Tanto os EUA como os países da União Europeia têm preparado um sistema de vigilância público para rastreio e prevenção da epidemia. #Ébola #Política Internacional