O ataque liderado pela Arábia Saudita aos rebeldes Houthis, que assumiram controlo das principais cidades da metade ocidental do Iémen, incluindo a capital Sana, foi recebido com maus olhos pelo governo iraniano. Da perspetiva saudita, os rebeldes, apoiados por Teerão, estariam muito próximos de capturar o Presidente Hadi, e assim depor o seu regime, alinhado com os interesses de Riade. Com a situação militar a tornar-se mais confusa, o Irão condenou as ações sauditas, declarando que se deveria procurar uma solução diplomática para o conflito, inclusive abordando o Sultanato de Omã para procurar aliados nessa frente. Também a Rússia e a China apoiaram uma resolução diplomática, ou pelo menos uma trégua humanitária.

Os ataques, contudo, não pararam.

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Com as tropas Houthis a manterem a pressão no reduto governamental na cidade portuária de Áden, a coligação árabe intensificou os ataques aéreos, e em resposta os Estados Unidos ampliaram a entrega de armas e munições para sustentar a campanha aérea. Os receios de um escalar do conflito parecem ter algum fundamento, uma vez que há notícias de tiroteios na fronteira saudita, e também no Sul do Iémen, onde forças governamentais, Houthis e da al-Qaeda se enfrentam numa caótica situação militar.

Entretanto dois navios iranianos, o Alborz, um contratorpedeiro, e o Bushehr, um navio de abastecimento, chegaram ao Golfo de Áden, ostensivamente para encetar operações anti-pirataria, um problema real na região. Não deixa de ser tentador, contudo, associar a operação à crise iemenita, até porque a coligação estabeleceu um bloqueio terrestre e naval para evitar que os Houthis recebam armamento.

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Como sempre sucede na história, as maiores potências numa dada região tendem a enfrentar-se, direta ou indiretamente, pelo domínio da mesma. No caso do Médio Oriente, a questão imiscui-se no confronto entre as duas principais vertentes da religião muçulmana, com os sauditas a liderarem a maioria Sunita, e os iranianos a imporem-se como os líderes dos Xiitas. Conquanto o apoio americano a Riade é já por esta altura tradicional, o estabelecimento de um entendimento com Teerão, que tem ligações à Rússia, parece mais suspeito numa primeira análise.

Existe a ideia de que os americanos pretendem exercer um método de poder brando na região, jogando com os interesses antagónicos de sauditas e iranianos. No entanto, essa é uma abordagem que implica severos riscos, até porque existe um tácito assumir, por parte de Teerão, de uma estratégia para o estabelecimento de um "Grande Irão" que se estenderia desde o Líbano à fronteira do Paquistão, complementado pela influência no Iémen, envolvendo totalmente a Arábia Saudita.

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Esta situação não interessa aos aliados dos EUA na região.

Longe das jogadas de poder das altas esferas da #Política Internacional, os civis iemenitas sofrem, ante uma crescente crise humanitária. Segundo a ONU, existem mais de 100.000 refugiados, alguns dos quais fugiram para a Somália, e mais de 10 milhões de pessoas sem acesso a comida ou água potável. Apesar de já ter chegado alguma ajuda à capital, severamente danificada pelos bombardeamentos, esta estará longe de ser suficiente. Entretanto a al-Qaeda e outros grupos jihadistas prosperam no caos.

Como no resto do Médio Oriente, a situação piora a cada dia que passa. #Terrorismo