No passado dia 2 de março, há quase um mês, o Exército Iraquiano, apoiado por milícias Xiitas e Sunitas, assim como oficiais iranianos e aeronaves americanas, lançou uma ofensiva em grande escala sobre a cidade Tikrit, localizada a cerca de 140 quilómetros a norte de Bagdade. Local de nascimento de Saddam Hussein e parte do Triângulo Sunita, uma região no centro do Iraque onde essa vertente do religião islâmica é dominante, a cidade é estrategicamente importante, e após alguma resistência, acabara por cair face ao avanço do Estados Islâmico em julho do ano passado. O ataque agora terminado faz parte de um plano muito mais amplo para esmagar o EI.

As tropas iraquianas começaram por atacar o posto avançado do EI em al-Dour, a sul da cidade, e depois envolveram a cidade, avançando de este e oeste conjuntamente com um assalto frontal para fazer pressão.

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Após um mês de longos combates, os jihadistas acabaram por ceder e a cidade foi declarada como libertada. Contudo ainda permanecem bolsas de resistência e as autoridades admitem que as tropas iraquianas estão agora a perseguir estes resistentes que se recusam a retirar ou render-se.

Entretanto, a Jordânia fechou a sua fronteira com a Síria, após uma série de incidentes. Apesar dos confrontos no país e das posturas inconsistentes para com o regime de Damasco pelas nações alinhadas com os EUA, muitos negociantes jordanos continuam a fazer trocas com a Síria, e esta medida é vista com alguma ansiedade.

A intervenção militar contra o EI revela-se já longa e custou algumas baixas mediáticas às nações que o enfrentam, como foi o caso do piloto jordano queimado vivo pelos jihadistas. Já os civis apanhados no fogo cruzado, que podem chegar aos 8 milhões, sofrem diariamente.

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Dada a escala dos eventos, o Primeiro-Ministro iraquiano descrevera, no início do ano, a guerra contra a organização como sendo a Terceira Guerra Mundial, expressão que é certamente exagerada, até porque tendo em conta os revezes recentes, o EI no Levante poderá estar a entrar nos seus dias finais. Isto porque o confronto no Médio Oriente não é realmente sobre jihadistas como o EI ou a al-Qaeda.

Como tem sido referido nos media, existem duas grandes vertentes da religião islâmica (e uma variedade de vertentes menores, mas essas tendem a alinhar-se com as principais em debates políticos), os Sunitas e os Xiitas. Os últimos são a minoria, e Teerão assumiu-se como a líder dessa população. Já Riade tem sido tendencialmente a líder da maioria Sunita (convém ver que o EI é ideologicamente Sunita). A guerra de momento em curso no Iémen é, de facto, um confronto entre Teerão e Riade pela influência nesse país. E o mesmo já se dá no Levante, onde a Síria e o Hezbollah são tradicionais aliados do Irão.

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A posição do Iraque é mais difícil de definir, mas começa também a tender para um entendimento com Teerão. Não esqueçamos que os rebeldes sírios também devem ser tidos em conta nesta complexa equação.

Mas há outro fator importante. Recentemente a Turquia de Erdogan tem-se revelado um competidor pelo domínio do mundo Sunita. Com desafios geopolíticos a vir do Cáucaso e da Europa, a janela de ação que o EI deu a Ancara poderá estar a fechar-se. Talvez a libertação de Tikrit venha a ser o princípio do fim do EI e o início de uma realidade mais clara na geopolítica do Médio Oriente. #Política Internacional