Desde o início da crise síria que as forças armadas israelitas mantêm as atividades perto das suas fronteiras sob grande escrutínio, tendo lançado ataques aéreos sempre que se assumiu que a situação o exigia. No entanto, nos últimos meses os combates junto dos Montes Golã, a norte, têm-se intensificado, com atores importantes da política regional a assumirem uma participação cada vez maior nos mesmos, incluindo alguns que falam abertamente de planos para a destruição do estado judaico. Na semana passada, e como já sucedeu no passado, a força aérea israelita bombardeou posições de mísseis balísticos sírios e veículos que alegadamente transportavam armamento para o Hezbollah.

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Convém ter em conta que recentemente esta organização fez observações em relação aos seus planos para atacar Israel, e teme-se que possa tentar uma escalda do conflito, não obstante estar já pesadamente comprometida na luta contra o Estado Islâmico (EI).

Mais recentemente, nomeadamente na passada terça-feira, rebeldes sírios entre os quais se incluíam membros da Frente al-Nusra (aliada da al-Qaeda) e milícias do EI enfrentaram-se em intensos confrontos no sul da província síria de Quneitra. Estes eventos estão em linha com os que foram relatados nas últimas semanas em relação aos avanços dos jihadistas na Síria. Apesar das críticas colocadas sobre o comportamento das tropas iranianas e iraquianas durante a Batalha de Tikrit, a realidade é que o EI está lentamente a ser empurrado para o Oeste.

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Entretanto os ataque aéreos da coligação liderada pelos Estados Unidos causaram amplos estragos nos seus centros logísticos e de comando e controlo.

Contudo, a situação na Síria é muito diferente da que se vê no Iraque. O país está profundamente dividido numa manta de retalhos, uma miríade de milícias cujos alinhamentos pouca consistência possuem. Pode-se argumentar que tal realidade traduz um pouco a tradicional lógica de alianças do Médio Oriente, em que a lealdade à tribo se sobrepõe a quaisquer noções de nacionalismo ou mesmo de sectarismo religioso. Neste contexto existem apenas duas forças realmente consistentes em tamanho e posição política: o EI e o regime de Bashar al-Assad.

Os jihadistas são apoiados por uma estrutura de poder que atrai voluntários de todo o mundo e força aqueles sob o seu julgo a obedecer, e que ainda se sustenta, não obstante o impacto já referido. Já Damasco é apoiado pelo Hezbollah e pelo Irão (e está de momento a negociar uma mais ampla intervenção por parte de Teerão), mas encontra-se desgastado pelos 4 anos de combates, apesar das entregas de armamento constantes por parte da Rússia e da China.

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É um contexto atroz, que Washington tenta contrariar com planos de criação de um mais coeso exército rebelde, apesar de muitos apontarem as dificuldades de realizar tal ambição.

Assim sendo, não será surpreendente o silêncio de Damasco e aliados em relação aos mais recentes bombardeamentos israelitas. As ameaças existem, e nos últimos meses deram-se confrontos na contestada zona do Montes Golã, mas a complicada situação no terreno e o interesse saudita em causar derrotas ao Irão tornam a forma de uma qualquer retaliação ambígua, não obstante a retórica. No atual estado da crise, uma escalada não interessaria realmente nem a Damasco nem a Telavive. #Terrorismo #Política Internacional