Donetsk tem sido um dos pontos fracos do cessar-fogo de Minsk, com tiroteios ocasionais a reclamarem várias vidas entre forças governamentais, rebeldes e civis. Contudo, desde o cessar oficial dos combates no fim de fevereiro que não se viam combates tão intensos como os que esta noite se fizeram sentir nos arredores da cidade, e que se arrastaram desde a noite até às primeiras horas desta manhã. A povoação de Lysenko, um pouco mais para Norte, também foi alvo de uma rajada de artilharia, com pelo menos dois feridos a lamentar. Também há relatos de que um jornalista russo, Andrei Lunev, teria ficado ferido após pisar uma mina, e o grupo que o transportava para o hospital mais próximo teria ficado debaixo de fogo pouco tempo depois.

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No total, e até ao momento, este confrontos causaram 7 mortos e mais de 20 feridos.

A frequência destes incidentes tem-se vindo a intensificar desde o fim do passado mês de março, fazendo temer a possibilidade de um recomeçar da Guerra de Donbass que, recorde-se, causou até ao momento mais de 6000 mortos e 1 milhão de refugiados. As negociações que haviam levado ao cessar dos confrontos foram marcadas por um rejuvenescimento das tensões entre a NATO e a Rússia, com mediáticas ameaças de que toda a situação poderia sair fora de controlo. Mesmo com o acordo, muitos dos pontos do mesmo continuam por se fazer cumprir, apesar das promessas. O uso de artilharia nos incidentes reportados demonstra que armas que deveriam ter sido removidas da fronteira continuam presentes nas zonas de combate.

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Mais ainda, existem relatos de que entregas de material, e mesmo tropas vindas da Rússia estão a acumular-se nos redutos rebeldes.

A par destes desenvolvimentos, deve-se ter em conta que as ameaças russas ainda se fazem sentir, tendo sido talvez a mais surpreendente aquela que declarava que tropas dinamarquesas poderiam ser alvo de ataques nucleares se Copenhaga aceitasse fazer parte do escudo anti-míssil americano. Convém ter em conta, contudo, que tais ameaças parecem vir de uma posição de fraqueza. A economia russa está severamente fragilizada e os esforços de Moscovo para criar uma mais próxima relação económica com os seus aliados ainda demorarão a fazer-se sentir. Para além disso, as suas tropas não serão tão bem treinadas nem tão bem equipadas como quererão dar a entender, daí que acenem com a carta nuclear.

Por fim, foi reportado que existem receios, junto de Kiev, de que os rebeldes pró-russos possam estar a planear novos ataques nas próximas semanas. Dentro da lógica militar da região, isso faria todo o sentido.

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Atacar na primavera significaria que se poderia utilizar a janela dos meses de calor, evitando a repetição das condições de combate miseráveis do inverno passado. Também é possível argumentar que, taticamente, os rebeldes falharam o seu propósito, tendo apenas conseguido assumir controlo de um franja de território no Leste. Entre as suas ambições estariam a ocupação de toda a região de Donbass e o estabelecimento de uma ponte terrestre unindo a Rússia à Crimeia. Veja-se que a península, ocupada por Moscovo no ano passado, começa a sentir a falta de produtos de primeira necessidade.

A nível estratégico, por outro lado, talvez os rebeldes tenham sido mais bem-sucedidos, forçando a uma polarização da #Política Internacional.