Este sábado, dia 25, partiram de Moscovo 30 membros do grupo de motociclistas Night Wolves (Lobos da Noite, em inglês), com o objetivo de chegar a Berlim no dia 9 de maio, a data da rendição da Alemanha no final da Segunda Guerra Mundial, segundo o calendário russo. A viagem foi bastante contestada pelas autoridades de diversos países, sobretudo da Polónia e da Alemanha, e chegou a prever-se que a falta de autorizações iria impedir a sua realização. Não obstante, os motociclistas resolveram fazer-se à estrada, com o líder do grupo, Alexander Zaldostanov, a declarar que mesmo que a sua passagem não seja autorizada os membros dos Night Wolves conhecem diversas maneiras alternativas de entrar nos países em questão.

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Mais ainda, classificou a viagem de 6000 quilómetros como um objetivo moral, e que cancelá-la seria uma traição dos valores estimados pelo grupo.

A crise entre o Bloco Ocidental e a Rússia, iniciada há mais de um ano com a revolta da Praça Maidan, em Kiev, que levou à ocupação da Crimeia e à Guerra em Donbass, teve uma ampla repercussão mediática, económica e social. No Leste da Ucrânia os combates prosseguem, com tropas governamentais e rebeldes, assim como civis a perderem as vidas praticamente todos os dias devido a tiroteios esporádicos. Ao mesmo tempo, as sanções impostas a Moscovo levaram a uma quebra na capacidade económica russa, mas também europeia, uma vez que vários países europeus exportavam grandes quantidades de produtos para a Rússia.

Além disso, a opinião pública russa encontra-se dividida.

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Conquanto muitos questionam as decisões de Vladimir Putin, com várias manifestações e prisões a marcarem o movimento da oposição ao regime, outros vêem no mesmo uma maneira de manter o país forte, após a depressão dos anos que seguiram ao fim da Guerra Fria. Muitos destes indivíduos vêem no papel que a União Soviética teve na Segunda Guerra Mundial, em que foram perdidas 10 milhões de vidas nos combates contra a Alemanha Nazi e seus aliados (com adicionais 20 milhões de baixas civis registadas no lado soviético), um motivo de orgulho nacional. Por este mesmo motivo, ressentem as descrições oficiais da ocupação da Europa de Leste, declarando que a Rússia foi um libertador e não um opressor, não obstante a realidade no terreno histórico e atual. Também existe um ressentimento contra o Ocidente, e suspeitas de que os países da NATO tentam destruir a Rússia a pouco e pouco.

Os Night Wolves enquadram-se nesta última ideologia, sendo conhecidos pela sua atitude ultra-nacionalista. Liderado por Zaldostanov, que é alcunhado de "o Cirurgião", devido ao seu antigo emprego, o grupo foi fundado em 1989 e já conta com mais de 5000 membros.

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O próprio Presidente Putin viajou com eles algumas vezes, solidificando ainda mais a sua mística entre os russos mais patrióticos. Por isso mesmo, a viagem que pretendem encetar está a gerar tanta polémica. Os polacos foram dos povos que mais ressentiram a ocupação soviética, e vêem o evento como uma clara provocação. Por seu lado, as autoridades alemãs já declararam que iriam fazer o possível para impedir o grupo de entrar no país.

Entretanto, outros 200 membros dos Night Wolves fizeram uma incursão na Polónia, este sábado, partindo do enclave de Kaliningrado, para visitar o monumento dedicado aos militares soviéticos em Braniewo, sendo escoltados pela polícia polaca e acompanhados de Sergei Andreyev, embaixador russo em Varsóvia, e Nikolai Tsukanov, governador de Kaliningrado. #História #Política Internacional