Apesar da aparente calma, a verdade é que situação na Ucrânia continua extremamente tensa. Soldados do governo e rebeldes continuam a morrer em redor da linha de demarcação do cessar-fogo de Minsk, em tiroteios e barragens de artilharia, e existem receios de possa haver um retomar das hostilidades no futuro próximo. Entretanto, o governo encabeçado pelo Presidente Petro Poroshenko, decidiu na passada quinta-feira banir todos os símbolos passíveis de serem identificados com os regimes Nazi e Soviético. As reações populares não se fizeram esperar, e em Kharkiv grupos de homens derrubaram e destruíram diversas estátuas históricas datadas dos tempos soviéticos.

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Moscovo já se pronunciou acerca destes eventos, declarando que eram um modo de doutrinação popular e de apagar a #História.

A lei para banir estes símbolos foi aceite sem grandes constrangimentos pelo parlamento de Kiev, apesar das respostas desiguais que causou. É defendido que a mesma surgiu da crença de que Moscovo estaria a suportar as forças rebeldes que combatem no Leste do país (vários analistas afirmam que tropas russas teriam inclusive combatido ao lado dos rebeldes, e que a sua performance demonstraria ainda o estado real das mesmas). Existe um medo de que a Ucrânia seja novamente conquistada pelos russos, que se associa a um imediato repúdio de tudo o que lhes seja associado. Mesmo Poroshenko não se coibiu de comparar a ocupação da Crimeia e de Donbass à ocupação dos Sudetas pelos Nazis, o que, de resto, não é uma afirmação nova.

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Por outro lado, os líderes rebeldes veem a lei como uma vitória do fascismo, e declaram que a mesma irá levar à desintegração do país, mesmo à continuação da guerra que já matou mais de 6000 pessoas. As autoridades moscovitas, por seu lado, afirmam que tal iniciativa é uma traição dos milhões que sacrificaram as suas vidas para libertar a Ucrânia do jugo Nazi.

Convém recordar que, em geral, os ucranianos nunca simpatizaram muito com os russos, e quando as tropas alemãs ocuparam o país em 1941 foram recebidas como libertadoras. A falta de visão Nazi falhou em utilizar devidamente esta realidade, e quando os campos de concentração foram montados, levaram rapidamente ao surgimento de movimentos de guerrilha que causaram o caos nas linhas de abastecimento dos invasores. Mesmo as forças criadas a partir de cidadãos locais pouco fizeram para granjear aos alemães a simpatia local, e estes lealistas foram massacrados sem piedade assim que a ofensiva soviética na segunda metade da guerra finalmente esmagou as linhas Nazis.

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Ao todo, o esforço de guerra soviético custou a Moscovo 10 milhões de mortos.

Os referidos guerrilheiros são igualmente descritos como "patriotas" segundo a nova lei. Também foi declarado em Kiev que veteranos podem manter as suas medalhas e que as campas dos mortos serão deixadas como estão. Ainda assim teme-se que esta lei possa enquadrar-se numa fenomenologia maior de reescrever a história, que se observa um pouco por todo o mundo e da qual Moscovo, que tanto se queixa das ações de Kiev, é igualmente culpada.

A grande verdade é que a Ucrânia continua um barril de pólvora, levando a NATO a manter o reforço da sua presença na região. Na Alemanha as autoridades começam a ficar realmente receosas, e foi decido, entre outras ações, reativar 100 carros de combate Leopard 2 que haviam sido postos fora de serviço já há alguns anos. #Política Internacional