Segundo as autoridades dos Estados Unidos da América, elementos da Guarda Revolucionária Iraniana terão esta manhã (terça-feira) alvejado e de seguida abordado o porta-contentores MV Maersk Tigris, de 65.000 toneladas. Após um pedido de ajuda vindo do navio com bandeira das Ilhas Marshall, as forças americanas na região teriam enviado um contratorpedeiro, apoiado por aeronaves, para investigar a situação. Relatos iniciais avançados pela estação saudita al-Arabiya haviam também indicado que estariam 34 tropas americanas a bordo do cargueiro, mas Washington já veio contestar tais declarações. Todo o incidente se deu no Estreito de Ormuz, um importante ponto de passagem de petróleo e outras mercadorias que fora sujeito a ameaças de bloqueio por parte de Teerão por diversas vezes no passado, e que sempre foi um ponto de fricção com a comunidade internacional durante as discussões da questão nuclear iraniana.

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Dados adicionais oferecidos pelos americanos indicam que o Maersk Tigris estaria a mover carga de Jeddah, na Arábia Saudita, para Jebel Ali, nos Emiratos Árabes Unidos, e estaria numa zona identificada como rota de navegação internacional aquando da abordagem pelas milícias iranianas. Recorde-se que a Guarda Revolucionária é uma força militar que existe em paralelo com o Exército Iraniano, possuindo autonomia e peso político próprios, e que está profundamente envolvida nos combates no Iraque e na Síria.

Os incidentes entre americanos e iranianos no Estreito de Ormuz não são um fenómeno recente. Em 1988 deu-se o polémico incidente em que o cruzador USS Vincennes abateu um Airbus da Iranian Air, e ainda na década passada se registaram incidentes de algum mediatismo.

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Não obstante, com um acordo entre o Ocidente e Teerão em vista, e com a aparente mudança da política americana na região, seria de esperar um acalmar da tensão. A intervenção militar no Iémen, liderada pela Arábia Saudita, trouxe uma nova dinâmica a esta realidade, criando, para todos os efeitos, dois importantes teatros de operações no Médio Oriente. Desta perspetiva, o Irão é acusado de apoiar os rebeldes Houthis, numa aparente tentativa de flanquear Riade e assumir um maior controlo sobre a região.

Como aliados próximos da Arábia Saudita, os Estados Unidos apresentaram o seu apoio nessa campanha. Conquanto exista uma aceitação tácita da venda de armamento aos sauditas para suportar a campanha, o apoio político é um pouco mais contestado, incluindo o apoio militar oferecido na questão da informação, da logística e da outras atividades tangenciais (como, por exemplo, o resgate de pilotos abatidos durante a campanha). O Irão sempre declarou que não apoiava os rebeldes no Iémen e que estaria disponível para iniciar negociações entre os lados envolvidos, sendo apoiado nessa oferta pelo Sultanato de Omã, que ocupa parte da margem sudoeste do Estreito de Ormuz. #Terrorismo #Política Internacional