Os habitantes do Nepal estão habituados à ocorrência de terramotos, visto esta ser uma das regiões do mundo que apresenta uma maior atividade sísmica. É apenas necessário olhar para os Himalaias para confirmar esta afirmação. No Nepal já se verificaram uma vasta gama de sismos, entre os quais se podem destacar os de maior magnitude, como é o caso de 1905 (7,5 de magnitude), 1935 (7,8 de magnitude), 2005 (7,6 de magnitude) e ontem, dia 25 de Abril de 2015, com uma magnitude de 7,8.

Há cerca de 50 milhões de anos ocorreu a colisão de duas grandes placas tectónicas (placa indiana e placa eurasiática). Este impacto deve ter sido muito intenso, pois ao longo destes milhões de anos originou a cadeia montanhosa dos Himalaias. Atualmente, estas duas placas estão ainda a colidir uma com a outra. Esta cordilheira cresce, assim, a uma taxa de cerca de 4 a 5 mm por ano, provocando inúmeros sismos.

David Rothery, um professor da Open University, no Reino Unido, afirma que "uma acomodação destas placas tectónicas provavelmente criou este terramoto mais recente no Nepal". Um dos eventos geológicos que provocam grandes deformações na litosfera, com consequência na perda de vidas humanas e bens, é a colisão e interacção entre as placas continentais.

Ontem, dia 25, estimou-se que o número de vítimas mortais era cerca de 600. No entanto, hoje, dia 26, calcula-se que o número ultrapasse as 2000 vítimas mortais e mais de 6000 feridos. A perda de vidas humanas e de bens deve-se não só ao fato da elevada magnitude e da proximidade do epicentro do sismo à superfície (7,8 de magnitude na escala de Richter, e a cerca de 10 a 15 km de profundidade), mas também devido às variadas réplicas que se fizeram sentir após o sismo principal, que neste caso chegaram a atingir os 6,6 graus de magnitude na escala de Richter. Passadas 4 horas do primeiro sismo, pelo menos 14 réplicas foram sentidas. Está provado que o que causa mais destruição não é o sismo em si, mas sim as réplicas, pois a maioria dos edifícios já se encontram danificados pelo abalo inicial.

Outro grande problema dos sismos centra-se nas construções humanas. Neste caso, a maioria da população vive em casas que são muito vulneráveis à ocorrência de sismos e terramotos, e consequentemente a deslizamentos de terra. Isto deve-se à pobreza e à elevada densidade populacional, visto que o Nepal tem uma das maiores densidades demográficas do continente asiático, com cerca de 184 habitantes por km2. Só a capital do país, Katmandu, tem cerca de 800 mil habitantes.

Os deslizamentos são também um grande problema quando se trata de zonas montanhosas, e grande parte da população do Nepal vive em aldeias nas montanhas. Estas aldeias podem assim ficar isoladas levando a interrupções das comunicações com as cidades. Num caso extremo, estas aldeias podem ser destruídas por lama e pedras que deslizam das montanhas. #Catástrofes Naturais