O estabelecimento de um histórico acordo acerca do programa nuclear iraniano entre os Estados Unidos da América e o Irão foi recebido com algum alívio pela comunidade internacional, especialmente depois de se ter suspeitado que as longas discussões em Lausana, na Suíça, haviam dado em pouco. Este acordo, que se espera que venha ser finalizado no dia 30 de junho, permitiria a vigilância do programa nuclear iraniano, com vista a garantir que o mesmo serviria para fins civis apenas. Em contrapartida, Teerão desfrutaria de um levantar das sanções, permitindo assim que a sua economia se desenvolva, uma ideia que agrada a alguns dos seus vizinhos, especialmente Omã. Na capital iraniana, as notícias foram recebidas com alegria, esperando-se que as mesmas anunciem um futuro mais risonho.

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Não obstante os sonhos de um relacionamento mais construtivo com Teerão, a verdade é que toda a região do Oriente Próximo está em grave tumulto. Existem atualmente dois teatros de operações ativos. No Levante uma coligação internacional enfrenta o Estado Islâmico, que apesar dos avanços e recuos, se tem tornado consistentemente mais enfraquecido. A cada vez mais evidente derrota do EI, contudo, tem, lentamente, levado os antigos inimigos tornados aliados a voltarem as atenções de volta aos problemas antigos.

No Iémen a violência prossegue, com os rebeldes a manterem a pressão no reduto governamental de Áden, apesar das notícias de há uns dias que referiam que os ataques teriam parado. Os bombardeamentos das forças árabes lideradas pela Arábia Saudita continuam, e as autoridades de Riade assumem que mataram cerca de 500 militantes Houthis apenas nos confrontos fronteiriços que surgiram desde então.

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Teerão está envolvido em ambos os teatros. No Iraque e na Síria apoia os Estados Unidos e seus aliados nas tentativas de esmagar o EI, embora se suspeite que usam a oportunidade para se infiltrar mais profundamente na estrutura política do Levante. Inclusive, tropas que apoiam Bashar al-Assad concentraram-se junto dos Montes Golã, levantando alarmes em Telavive. Já no Iémen a situação é mais ambígua, mas a possível captura de dois oficiais iranianos por milícias pro-governamentais em Áden indica que existe pelo menos apoio logístico aos rebeldes. A presença em ambos os teatros serviria para envolver Riade, e criar domínio regional, talvez mesmo levando à formação de um "Grande Irão."

O governo de Bejamin Netanyahu não vê isto com bons olhos. Aliado de conveniência com a Arábia Saudita, vê no avanço iraniano uma ameaça existencial ao estado judaico. Convém ter em conta que no passado a retórica do governo de Teerão sempre implicou que Israel deveria ser destruído, e as tentativas de criar armamento nuclear são vistas como inquietantes (não obstante o alvo principal das mesmas ser provavelmente Riade).

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De momento Telavive possui o único arsenal nuclear da região.

Em face a toda esta realidade, Netanyahu declarou que, com este acordo, Teerão mantém todas as ferramentas para criar armas nucleares, e que tal irá decididamente suceder. Lamenta que os seus avisos não tenham sido tidos em conta, e descreve o acordo como um "erro histórico." Em última análise, classifica como um equívoco chegar-se a um entendimento sem que primeiro o Irão mude as suas "políticas de agressão." #Terrorismo #Política Internacional