A mais recente ronda de negociações acerca do programa nuclear iraniano, levadas a cabo na cidade suíça de Lausanne, terminaram esta quarta-feira sem avanços significativos, apesar das palavras otimistas da delegação alemã. Apesar da assinatura do Tratado de Não-Proliferação Nuclear em 1968, a queda do Xá e a ocupação do poder pelos Aiatolas levaram ao repúdio dessa iniciativa, e no final dos anos de 1980 Teerão levou a cabo esforços para obter planos para criar armas nucleares. Isto criou, evidentemente, um choque com a ONU e os Estados Unidos, que levou à imposição de sanções sobre o Irão e à sabotagem do programa nuclear iraniano por um vírus de computador desenvolvido pelos EUA e Israel em 2010.

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Ainda assim, Teerão não desistiu, apesar de o atual Presidente Hassan Rouhani, visto como um moderado, ter trazido algumas esperanças de recuos nessa ambição.

A questão do nuclear no Médio Oriente é certamente polémica. Apesar de sempre ter recusado fazer admissões nessa questão, Israel (que não participa nas negociações com Teerão) sempre foi visto como possuindo o único arsenal nuclear na região. Estas armas serão sobretudo dissuasores de ataques em grandes escala que possam pôr em risco a existência de Israel. Convém ver que existe uma profunda inimizade para com o Estado judeu, e que os líderes iranianos haviam repetido diversas vezes o desejo de o destruir. Para tal efeito, armas nucleares seriam vistas como um risco real à sua sobrevivência, maior do que qualquer inimigo atual, mesmo o Hezbollah (o qual Telavive admitiu ser capaz de causar centenas de mortes civis em Israel numa próxima guerra).

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Mas a questão israelita não é o principal foco de tensão no Médio Oriente. O conflito que já dura há décadas entre Riade e Teerão pelo domínio da região tem certamente um grande peso na questão nuclear. Convém ver que a Arábia Saudita já teria admitido que permitiria a passagem de caças israelitas pelo seu espaço aéreo caso Telavive estivesse interessada em atacar as centrais nucleares iranianas (construídas como bunkers fortificados mesmo por causa deste perigo).

Mas existem outras preocupações que levam a um investimento dos governos ocidentais, e sobretudo do Presidente Barack Obama, neste assunto. O preço do petróleo tem vindo a decair nos últimos meses. O facto prejudicou a economia russa, mas evidentemente que é desejável para os maiores importadores. A crise em curso no Iémen, contudo, levou o petróleo a subir até aos 55 dólares esta semana. Para além disso, o Irão tem estado a colaborar com os EUA na guerra contra o Estado Islâmico, e parece provável que Washington esteja disposto a fazer concessões em troca de maior apoio contra os jihadistas e manutenção de um assento importante em Bagdade.

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No entanto, isto implica um jogo perigoso, em que os EUA manteriam um equilíbrio de poder entre Riade, Teerão e Ancara. Não se sabe se isto será sequer possível.

Em Lausanne, no entanto, não foi possível qualquer acordo, apesar da meta imposta para a meia-noite de terça-feira. O principal foco de contenção estaria no levantar das sanções económicas. Representantes chineses declararam que se deveria insistir nas negociações, para não desperdiçar o trabalho já efetuado. Mas o PM israelita, Benjamin Netanyahu, crê que a comunidade internacional poderia e deveria pressionar para um acordo mais satisfatório do que o que esteve em discussão. Nas suas palavras poder-se-ia conseguir um total cancelamento do programa nuclear iraniano. #Política Internacional