Cerca de 400 pessoas, entre elas várias crianças, morreram esta terça-feira num naufrágio no mar Mediterrâneo, quando tentavam chegar à Europa, provenientes da Líbia, informou a organização Save the Children. "Segundo testemunhos recolhidos nas últimas horas, 150 sobreviventes chegaram a Reggio Calabria, entre eles alguns menores, e cerca de 400 pessoas morreram num naufrágio que teve lugar 24 horas depois da sua saída da costa líbia", diz o comunicado, que especifica que entre as vítimas há "vários jovens, provavelmente menores de idade". O barco transportava um total de 550 pessoas.

A organização refere ainda que, entre os dias 11 e 13 de Abril, chegaram à Itália, por mar, mais de 5.100 emigrantes, entre eles 450 crianças, 317 das quais não iam acompanhadas.

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Valerio Neri, director-geral da Save the Children, declarou que, segundo testemunhos, "a situação na Líbia está fora de controlo e a violência nas ruas é inaudita". "É fundamental garantir um acolhimento adequado e o apoio necessário, também psicológico, em particular aos mais vulneráveis", frisou. Os sobreviventes do mais recente naufrágio eram maioritariamente da África Subsaariana. A Save the Children não deu, contudo, mais detalhes e não se sabe ao certo quando é que o barco se afundou.

Antes deste incidente, mais de 500 emigrantes tinham já morrido, só este ano, enquanto tentavam atravessar o Mediterrâneo, vindos de África. Mais 47 do que em igual período do ano passado, disse a Organização Internacional para a Migração (IOM, pelas iniciais em francês). O número de barcos que tentam fazer a travessia entre África e a Europa tem vindo a aumentar nas últimas semanas, graças à melhoria do estado do tempo, com a chegada da Primavera, o que torna a passagem mais segura.

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Ainda assim, só em Fevereiro, mais 300 pessoas morreram nessa tentativa. A Save the Children, a IOM e outras organizações humanitárias têm vindo a apelar à União Europeia que incremente as suas operações de resgate marítimo antes do fluxo migratório aumentar no Verão, como habitualmente acontece.

Na segunda-feira, 2.851 emigrantes foram salvos em operações do resgate no Mediterrâneo, disse a Guarda Costeira italiana, acrescentado que pelo menos nove pessoas morreram e outras 5.629 foram resgatadas durante o fim-de-semana. A Itália, que tem lidado com o maior número de emigrantes que chegam à União Europeia, está cada vez mais preocupada com a falta de lei e ordem na Líbia, o que tem tornado mais difícil a sua tarefa de travar os fluxos migratórios. A Líbia tem dois governos rivais, várias milícias e um movimento islamita em crescimento.

Noutro incidente, a Frontex, Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-Membros da União Europeia, disse esta terça-feira que traficantes de pessoas dispararam tiros para evitar que o seu barco fosse confiscado depois de equipas de resgate terem salvado 250 pessoas que seguiam na embarcação ao largo da Líbia.

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Depois de os emigrantes terem sido transferidos, uma lancha aproximou-se e a sua tripulação disparou vários tiros para o ar. Os atacantes fugiram depois com o barco vazio. A Frontex realça que esta foi a segunda vez este ano que contrabandistas armados recuperaram a embarcação usada para transportar emigrantes depois de um resgate no Mediterrâneo central.