O Papa Francisco falava após a Via Sacra de ontem, Sexta-feira Santa, no Coliseu de Roma, quando condenou a inércia perante a perseguição aos cristãos nos países onde a liberdade religiosa não existe ou é muito reduzida. A posição do chefe supremo da Igreja Católica surge um dia depois do ataque terrorista do grupo Ah-Shabaad a uma instituição do ensino superior queniana. Vários homens armados e com a cara tapada entraram no campus da universidade de Garissa, no nordeste do Quénia, e fizeram pelo menos 147 mortos, sendo que o balanço pode aumentar nos próximos dias.

Depois de terem começado a matar indiscriminadamente, os atacantes começaram a perguntar aos estudantes a sua #Religião.

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Os muçulmanos foram poupados, enquanto todos os cristãos com que se cruzaram acabaram por perder a vida. Na sequência desta tragédia, o Papa Francisco denunciou o "silêncio cúmplice" perante a "fúria jihadista" que atinge os cristãos e que, pela sua fé, são "perseguidos, decapitados e crucificados". A maioria da população do Quénia é cristã, sendo que apenas cerca de 10% dos quenianos são muçulmanos.

Collins Wetangula, um dos alunos que escapou com vida ao atentado terrorista, revelou, em entrevista à Associated Press, que se trancou no quarto com mais três amigos quando começaram a ouvir os disparos. "Só conseguíamos ouvir passos e tiros. Ninguém gritava, para não denunciar a sua posição", afirma.

Este Sábado, o grupo terrorista com ligações à Al-Qaeda voltou a ameaçar o Quénia, afirmando que o atentado foi, entre outros motivos, uma retribuição pelos maus tratos aos muçulmanos que vivem naquele país.

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"Nem a precaução nem as medidas de segurança serão capazes de garantir a vossa segurança, impedir ou prevenir outro banho de sangue nas vossas cidades", afirmou o grupo num comunicado enviado por email e citado pela agência Reuters.

O facto de a perseguição aos cristãos por vários grupos terroristas em países como o Iraque, a Líbia, o Paquistão e o Quénia, não estar a ser denunciada de forma clara está a gerar indignação e irritação crescentes no Vaticano. "Todos os responsáveis devem redobrar os seus esforços para pôr termo a esta violência", considera o Papa Francisco. #Terrorismo