Segundo uma investigação realizada pela jornalista Laura Castellanos, publicada na revista "Proceso" e no site Aristegui Noticias, 16 habitantes da cidade de Apatzingán terão sido abatidos pela polícia federal Mexicana em Janeiro passado. A jornalista recolheu testemunhos de 39 pessoas, incluindo vídeos e registos áudio, que demonstram que os civis mortos não estavam armados. Estas novas afirmações contrariam a tese das autoridades, que tinham anunciado há umas semanas atrás que as 9 pessoas tinham sido mortas por "fogo inimigo" em confrontos entre antigos membros de uma milícia rural e a policia federal em Apatzingán, resultando daí também 44 detenções.

O artigo publicado na revista "Proceso" veio desmentir as autoridades, que se viram obrigadas agora a abrir uma investigação. Ao ler-se o artigo é possível verificar que inicialmente a polícia disparou sobre 100 pessoas que estavam numa manifestação em frente à Câmara Municipal, ouvindo-se os agentes da polícia a gritar "matem-nos como cães". Mais tarde, os agentes da autoridade voltaram a atacar, desta vez os carros de pessoas que perseguiam a polícia com a intenção de libertar as pessoas detidas. A jornalista mexicana escreve que os manifestantes não teriam outras armas, a não ser paus. Este caso ocorreu num dos estados mais corroídos pelo narcotráfico e pela corrupção, o estado de Michoacán.

Este caso surge depois de, no ano passado, 43 estudantes terem sido assassinados por um cartel que actuava na cidade de Iguala, que tinha ligações à polícia local e também ao presidente da autarquia daquela cidade mexicana. Outro caso de violência, envolvendo a polícia e o exército, aconteceu no dia 30 de Junho de 2014, quando 22 civis foram assassinados na localidade de Tlatlaya, no estado do México. A versão oficial, dada pela Secretaria da Defesa Nacional, era que os militares tinham-se envolvido em confrontos com criminosos. Mas uma testemunha, entrevistada pela revista Esquire, afirmou que os soldados fuzilaram os 22 jovens, um dos quais menor de idade, já depois de estes se terem rendido. Este caso é considerado o mais grave cometido pelo Exército Mexicano nas últimas décadas. #Crime