Os confrontos entre a polícia e os moradores da favela do Bairro do Alemão, no Rio de Janeiro, terminaram em tragédia, depois de quatro moradores terem sido mortos por agentes da Polícia Militar. A última vítima mortal foi uma criança de dez anos, atingida a tiro na quinta-feira, quando brincava numas escadas da comunidade. No dia anterior, três pessoas perderam a vida e outras três ficaram feridas em dois tiroteios. Estes confrontos poderão levar o Comando de Operações Especiais da Polícia Militar a ocupar de novo a favela.

O desespero e a revolta de familiares e moradores desta comunidade após a morte de uma criança, que estava no sítio errado, à hora errada, levaram à realização de um protesto de cerca de meia hora pelas ruas da favela. Apesar de se pretender pacífica, a manifestação levou a novos confrontos, com a polícia a utilizar gás pimenta contra os manifestantes. Alguns dos participantes na vigília reagiram à acção da polícia, arremessando pedras.

A presidente Dilma Rousseff, que desde que iniciou o seu segundo mandato tem estado no centro de muitas polémicas, que levaram a uma gigantesca manifestação a favor da sua demissão, já se pronunciou sobre este incidente: numa nota de imprensa, manifestou o seu pesar e pediu uma investigação às circunstâncias em que ocorreu esta morte e a punição dos responsáveis.

Entretanto, a Polícia Civil já veio dizer que foi aberto um inquérito para investigar as condições em ocorreu a morte de Eduardo. Os polícias que estiveram envolvidos no confronto terão que prestar depoimento e entregar as suas armas para que sejam sujeitas a análise balística.

Os moradores da favela afirmam que os polícias dispararam contra Eduardo e a mãe da criança acrescentou ainda que, quando chegou ao local onde o filho estava caído, um polícia a ameaçou de morte.

Nas redes sociais terão circulado imagens que mostram a criança assassinada na posse de uma arma. Segundo o deputado federal John Wyllis, aquelas fotografias são falsas e manipuladas e não passam de "uma tentativa desonesta e perversa de justificar a sua morte".