Um segredo mal-guardado da guerra na Síria prende-se com a presença de tropas iranianas no terreno, nomeadamente homens da Guarda Revolucionária, combatendo a par com as forças leais ao Presidente Bashar al-Assad. Ainda recentemente estas tropas teriam sido dispostas a sul de Damasco, perto dos Montes Golã, controlados por Israel, de modo a fazer frente às operações do Estado Islâmico na região, apesar da presença destes homens na região ter também levantado alarme em Telavive. Os militares iranianos também teriam servido como conselheiros e instrutores para unidades sírias e da organização Hezbollah, sediada no Líbano. No entanto informações fornecidas pelos sauditas indicam que as tropas iranianas ter-se-iam retirado totalmente do país na última semana.

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Ainda não é claro se estas informações são fidedignas, até porque fontes em Teerão referem uma recolocação destes homens dentro dos limites de Damasco, onde teriam estabelecido posições. A verdade, contudo, é que o EI e outras forças da oposição têm conseguido recuperar a iniciativa na luta contra o governo sírio, como demonstra a tensa situação no campo de Yarmouk, e a ocupação pelos militantes das zonas junto da fronteira com a Jordânia. O governo sírio está a perder a iniciativa, não possuindo os homens para sustentar operações prolongadas em muitos locais, e falhando em conter a quantidade de milícias que ocupam o país.

Evidentemente que não se pode fazer recair a culpa pela situação apenas sobre as tropas iranianas, mas a verdade é que já durante a Batalha de Tikrit havia surgido relatos relativos às capacidades combativas das mesmas. Militares americanos seguiram as operações e relataram que a eficiência dos militares iranianos deixaria muito a desejar.

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Apesar de informações deste género deverem ser tomadas com alguma cautela, costuma-se dizer que onde há fumo há fogo. Por outro lado, a situação no terreno é de tal modo caótica, com milícias a atacarem-se numa semana para depois cooperarem na seguinte, que se torna difícil para um exército regular, sobretudo em pequenos números (diz-se que as tropas deslocadas para a Síria pelo Irão somariam cerca de 6000 homens), conseguir controlar a situação.

Por fim existe a questão relacionada com o impacto que a possível retirada iraniana da Síria poderá ter nos seus planos a longo prazo. É evidente que Teerão tem ambições bastante grandes. Pelo menos, existe o desejo de controlar o Levante, criando uma área de influência direta que se estenderia do Líbano até ao Paquistão. O apoio aos rebeldes Houthis no Iémen e a aproximação ao Sultanato de Omã indicam ainda uma vontade de envolver o seu maior rival, a Arábia Saudita, obtendo assim controlo de quase todas as vias de acesso ao Médio Oriente e boa parte do mesmo.

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Somado à abertura económica trazida pelo levantamento das sanções, isto permitiria que Teerão se tornasse no poder dominante na região. A criação de uma arma nuclear (ambição que Teerão sempre negou) e a compra de novo armamento aos russos seriam ases para solidificar essa posição.

É uma realidade que não agrada aos seus rivais. O peso desta ameaça, aos seus olhos, está a levar, inclusive, os sauditas e os turcos a estabelecerem entendimentos, enquanto forças líderes no mundo Sunita, para se contraporem a esta possível predominância Xiita. Contudo, olhando para os fracos resultados militares na Síria e no Iraque, parece que o Irão ainda padece da necessidade de importantes reestruturações, se quer fazer cumprir as suas ambições. #Política Internacional