Este sábado, dia 11, as autoridades turcas enviaram mais tropas para a província de Agri, localizada no extremo oriental do país, na fronteira com o Irão. Foi relatado que na noite passada tropas turcas haviam encetado um tiroteio com rebeldes curdos pertences ao PKK, após estes últimos terem aberto fogo, isto apesar do cessar-fogo acordado há dois anos atrás. Já no mês passado se havia dado um outro incidente na região, que marcara o crescente ressurgir dos antagonismos entre as duas fações. Recorde-se que a rebelião curda já se arrasta há mais de 30 anos, tendo causado a morte de 40 mil pessoas e sendo considerada como insustentável por líderes dos dois lados do conflito.

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Não obstante, o PKK ainda não se pronunciou em relação ao facto.

Conquanto não inesperada, a situação não deixa de ser mais um golpe para a coligação que enfrenta o Estado Islâmico (EI) no Norte do Médio Oriente. Apesar da vitória em Tikrit, cujo rescaldo foi marcado por infelizes incidentes de pilhagens por parte das milícias Xiitas, as tropas iraquianas, suportadas por milícias iranianas e aeronaves da NATO, falharam em consolidar esses ganhos. Na passada sexta-feira, dia 10, tropas jihadistas conseguiram levar a cabo uma série de assaltos a Ramadi, na província ocidental de Anbar, levando os habitantes a fugir às centenas. Apesar das vitórias em grandes batalhas, as forças de Bagdade não conseguem manter a iniciativa, que continua nas mãos dos mais móveis jihadistas.

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Neste contexto, as forças mais profissionais e bem-sucedidas a enfrentar o EI têm sido, consistentemente, os curdos, que conseguiram assim assumir o controlo de regiões no norte do Iraque e da Síria. São também apoiados por forças especiais de nações da NATO, que os treinam, e, inclusive, os apoiam no terreno (unidades similares também treinam as tropas iraquianas, e até a Suécia vai enviar 120 homens para esse efeito). O possível ressurgimento dos confrontos entre estas comunidades e Ancara certamente que não beneficiaria esta coligação, e obrigaria os curdos a dispersar as suas forças, já tão pressionadas.

O Irão, entretanto, aparenta fazer por expandir a sua influência junto de Bagdade e Damasco (entretanto, Bashar al-Assad trava um duelo duro contra tropas do EI mesmo às portas da sua capital). A julgar pelas informações que surgem do conflito paralelo que recentemente se intensificou no Sul da Península Arábia, podemos assumir que a luta contra os jihadistas poderá estar a ser usada como uma desculpa para cercar a Arábia Saudita, o seu grande rival, e assumir o domínio na região.

Segundo as milícias leais ao Presidente Hadi do Iémen, dois oficias iranianos que apoiavam as tropas dos rebeldes Houthis foram capturados durante a Batalha de Áden, ainda a decorrer.

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A comprovar-se, isto confirmaria duas coisas: que o Teerão de facto suporta os rebeldes, como foi dito desde o início, e que o modus operandi é algo similar ao que foi desenvolvido junto das tropas da Síria e do Hezbollah no passado, antes de a intensificação dos combates levar à entrada direta de forças iranianas nesses teatros. #Terrorismo #Política Internacional