Com o aumentar da tensão no Médio Oriente, a questão ucraniana perdeu grande parte da sua atenção mediática, mas a tensão mantém-se em Donbass, exatamente um ano após o início das hostilidades. Este domingo, dois incidentes junto da zona de demarcação exigida pelo Acordo de Minsk resultaram na morte de seis soldados ucranianos. Quatro homens foram mortos por mísseis disparados das posições rebeldes em Lugansk, enquanto outros dois viram o seu veículo pisar uma mina. Já ontem, outros 3 soldados das forças de Kiev haviam sido vitimados por uma outra mina, totalizando 9 mortos só neste fim-de-semana.

Incidentes deste género arriscam terminar com a acalmia que se regista na região desde o passado mês de fevereiro.

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Também este fim-de-semana, tropas separatistas, identificadas como russas e aparentando não querer esconder a sua identidade, levaram a cabo uma série de exercícios que classificaram como "antiterroristas." Também escreveram para os líderes da França e da Alemanha, pedindo que aumentem a pressão para que Kiev reinicie o pagamento dos serviços de segurança social nas zonas sob o seu controlo, não obstante o desejo já enunciado da secessão destes territórios da Ucrânia.

Por seu lado, Kiev enfrenta problemas gravíssimos. O crescimento económico poderá registar uma quebra de 7,5% este ano, maior do que os 7% do ano passado, e espera-se um novo incremento da já considerável dívida pública. A comunidade internacional, sob a alçada do Fundo Monetário Internacional, avançou com um plano de resgate avaliado em 40 mil milhões de dólares para tentar evitar o colapso total da economia ucraniana, mas poderá não ser suficiente.

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Possíveis investidores continuam inquietos com a corrupção que grassa no país (e que, aos olhos dos povo, foi uma das razões por trás do anseio por uma mudança política que iniciou toda a crise), não obstante as iniciativas do Presidente Poroshenko para tentar diminuir tais problemas. No entanto, também se defende que as vastas terras aráveis e ampla força de trabalho seriam ferramentas essenciais para reerguer a Ucrânia.

Entretanto a NATO e Moscovo mantêm um confronto diplomático regional e internacional. Washington e os seus aliados europeus continuam a reforçar a presença militar na Europa de Leste, com os diversos esquadrões de caças americanos que continuam a chegar à região a revelarem-se a faceta mais visível dessa realidade. Também se planeia a instalação de mais defesas anti-míssil, que rapidamente levaram a uma série de ameaças bastante extremas por parte das autoridades russas. Entretanto Moscovo mantém patrulhas sobre o Báltico e até sobre o Pacífico, estando até planeada a revelação de um novo carro de combate nos próximos dias.

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Não obstante, acredita-se que o governo de Vladimir Putin negoceia numa posição de fraqueza. As suas tropas não estão tão bem-treinadas ou bem-equipadas como se tenta dar a entender, e a sua verdadeira cartada prende-se com o vasto arsenal nuclear, cuja eficácia poderia ser severamente diminuída com uma rede de defesas abrangente. Pior ainda, contudo, é a situação económica. As sanções e o vacilante preço do petróleo afetaram gravemente as finanças de Moscovo, e Putin tem procurado estabelecer acordos económicos com aliados antigos e novos, incluindo a República Popular da China, com vista a colmatar as falhas trazidas pelo antagonismo com a Europa.

A guerra na Ucrânia já matou mais de 6000 pessoas e causou mais de um milhão de refugiados. #Política Internacional