A Ilha de Lampedusa tem uma população de 5.000 habitantes que se distribui ao redor dos seus 20,2km². A estas 5.000 pessoas juntam-se todos os dias dezenas de emigrantes que fugiram dos seus países porque a sua vida, segurança ou liberdades foram, de alguma forma, ameaçadas pela violência generalizada, pelos conflitos internos ou pela violação massiva dos direitos humanos. Desde o colapso do regime ditador de Muammar Khadafi, em 2011, que a Líbia começou a ser cada vez mais ponto de partida para milhares de refugiados africanos e do Médio Oriente que procuram a todo o custo chegar à Europa em busca de paz.

Saem de países como a Eritreia, a Somália e o Sudão em busca de uma embarcação que os leve a solo europeu.

Publicidade
Publicidade

De forma frequente são velhos navios sem quaisquer provisões que se arrastam pelas 500 milhas que ligam a Líbia ao primeiro pedaço de terra do continente a norte - Lampedusa. Aos emigrantes resta-lhes sobreviver.

Apesar daquilo que procuram não ser uma ilha no meio do Mediterrâneo, é um primeiro objectivo alcançado. Dizem alguns dos que lá chegam que ao verem as luzes da ilha se sentem ofuscados depois de uma eternidade de escuridão. Segundo o Alto Comissariado da Nações Unidas para os Refugiados, em 2014 morreram pelo menos 3.419 migrantes que tentavam chegar a essa terra prometida chamada Lampedusa.

Na sequência do naufrágio na madrugada deste Domingo, dia 19 de Abril, Marie-Louise Coleiro Preca, Chefe de Estado de Malta, afirma que não existem soluções fáceis para a imigração, no entanto há que deixar de olhar para os migrantes "como um bicho papão".

Publicidade

Segundo a Chefe de Estado "não pode haver paz quando as pessoas agem de uma forma hostil contra os outros só porque têm uma pele mais escura ou porque usam um lenço na cabeça".

Afinal a única coisa clandestina que chega a Lampedusa são os barcos. As pessoas, essas, são refugiadas sem estatuto legal, com direito à protecção internacional que lhes deveria ser devida e que fica muitas vezes infelizmente aquém do expectável. #Política Internacional