Depois de uma investigação de cinco anos, a União Europeia (UE) formalizou na passada quarta-feira, dia 15, uma queixa contra a Google, acusando o maior motor de busca da Internet de violar as leis de livre concorrência na Europa. Esta decisão da UE prende-se, antes de mais, com a #Google Shopping, um serviço de comparação de preços que, segundo a Comissão Europeia, é apresentado de forma destacada nas pesquisas, em detrimento de outros serviços do género. Margrethe Vestager, comissária da UE responsável pela política de concorrência, afirma que a Google concede uma "vantagem injusta ao seu próprio serviço comparador de preços, violando assim as regras da UE em matéria de antitrust".

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A Comissão está preocupada que a gigante da Internet esteja, deste modo, a redirecionar o tráfego, desviando-o de outros serviços semelhantes e pondo, assim, em causa a sua competitividade no mercado. "A Comissão receia que os usuários não vejam necessariamente os resultados mais significativos em resposta às suas pesquisas, o que prejudica os consumidores e asfixia a inovação", justifica a UE. Nos Estados Unidos já tinha sido levada a cabo uma investigação semelhante, mas o governo norte-americano acabou por recuar nas suas intenções e não avançar com o processo sobre a Google. Agora esta investigação da União Europeia tem um desfecho diferente, talvez por se fundamentar não só no caso da Google Shopping, mas também o serviço Android.

Sendo um serviço aberto, o Android poderia ser usado por qualquer empresa interessada, mas, na verdade, muitas dessas empresas acabaram por fazer contratos com a Google para a utilização do sistema operativo.

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A Comissão Europeia questiona esses contratos como possíveis violações do direito de livre concorrência. Entretanto a Google, através de uma publicação no seu blogue oficial, assinado pelo vice-presidente Amit Singhal, já fez saber que discorda das acusações da EU: "Nós respeitamos, mas discordamos fortemente da necessidade desse Comunicado de Objeções, e vamos preparar a nossa defesa nas próximas semanas". A Google alega, assim, que o tráfego de outros serviços de compras não diminuiu desde a criação da Google Shopping.

A Google tem agora três meses para responder. Caso não convença a EU, a multa poderá chegar a 6 bilhões de euros. Recorde-se que esta não é a primeira vez que a União Europeia avança com um processo do género. Há 15 anos a UE acusou a Microsoft de usar o monopólio do Windows para prejudicar a concorrência. A Microsoft acabou por pagar uma multa de 2 biliões de euros.