Um mês após o terramoto de magnitude 7.9 na escala de Richter, as autoridades nepalesas contabilizam 8500 mortos e cerca de 17.000 feridos. Desde o dia 25 de Abril já ocorreu um segundo sismo de grande magnitude e milhares de réplicas, sendo que cerca de 200 destas chegaram aos 4 e 6 graus. As operações de ajuda e resgate são muito difíceis, visto ser um país onde se concentram 8 dos 14 picos mais altos do mundo. Existe também a preocupação da chegada da época das chuvas, dentro das próximas semanas. A época das tempestades de monção poderá dificultar a assistência humanitária, assim como prejudicar as comunicações e trazer surtos de doença como a cólera.

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É neste cenário que o governo e as Organizações Não Governamentais tentam encontrar soluções para refugiar cerca de 3.000.000 habitantes que ficaram sem as suas casas. Grande parte do trabalho tem sido efectuada por voluntários provenientes dos quatro cantos do mundo. É o caso dos portugueses Pedro Queirós e Lourenço Macedo Santos que chegaram ao Nepal no dia anterior ao grande terramoto. Após presenciarem a catástrofe decidiram espontaneamente permanecer no Nepal como voluntários, onde têm exercido um papel importante na ajuda humanitária naquele país.

Em entrevista exclusiva à Blasting News, Pedro Queirós avalia este mês após a catástrofe, alertando que o foco da ajuda está em fornecer alojamento aos milhares de pessoas que ficaram sem as suas casas. Existe pouca informação estatística relativamente às vítimas do terramoto e o seu acesso à ajuda humanitária, mas através do seu relato sabemos que as questões relativas ao acesso a alimentos já foram superadas.

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"Depois da fase da alimentação, que durou intensamente cerca de 20 dias, o foco está agora na construção de soluções de habitação temporárias. Milhões de pessoas ficaram desalojadas ou têm medo de voltar às suas casas danificadas, então dormem em tendas no meio da rua ou junto às ruínas das suas casas. Aproximam-se as monções, por isso a prioridade da ajuda humanitária está agora no realojamento", refere Pedro Queirós.

O português afirma que existiram vários aspectos que poderiam ter sido melhorados, em termos da coordenação dos esforços, cooperação e ajuda de entidades competentes, e que as burocracias aliadas à falta de informação e infraestruturas dificultaram todo o trabalho. O projecto destes dois voluntários portugueses, denominado "Obrigado Portugal, nós também somos Nepal", começou com um pedido de donativos através da página do Facebook criada para o efeito. No primeiro dia distribuíram 50 quilos de arroz e 400 bananas. Passados 25 dias conseguiram entregar 8 toneladas de mantimentos, de helicóptero, a uma vila nos Himalaias junto ao Tibete.

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Este projecto vive de donativos e da ajuda de dezenas de outros voluntários portugueses que começaram a chegar ao Nepal para ajudar. Pedro Queirós finaliza dizendo que "há muito ainda por fazer e enquanto continuarem a apoiar, nós também continuaremos". A Directora Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Poonam Khetrapal, afirmou que "um mês depois do terramoto no Nepal, o desastre está muito longe de acabar". O Governo nepalês, Organizações Não Governamentais e voluntários de todo o mundo concentram-se na ajuda humanitária para aliviar as graves consequências dos terramotos e suas réplicas. Toda a ajuda e dedicação dos organismos envolvidos tem como principal objectivo criar um Nepal próspero, mantendo sempre as suas tradições milenares. #Causas #Catástrofes Naturais