Os bombardeamentos da coligação liderada pela Arábia Saudita sobre o Iémen, com vista derrotar as forças rebeldes que haviam assumido o controlo da capital, iniciaram-se há pouco mais de um mês. Apesar dos esforços investidos e das centenas de aeronaves empregues na campanha, a verdade é que o conflito não aparenta estar mais próximo de estar resolvido, e as perdas entre os civis amontoam-se, com algumas das estimativas mais recentes a referirem mais de 300 mortos, apesar de os números reais poderem ser bem superiores. A destruição nas infraestruturas iemenitas também é considerável, e a falta de água, comida e medicamentos está a levar a uma situação descrita pelas Nações Unidas como "insustentável." Face a esta realidade, Riade considera pedir tréguas em algumas áreas do país, de modo a conseguir fazer-se chegar a ajuda às populações.

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No entanto a ideia enfrenta alguma oposição. Adel al-Jubeir, o Ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, esclareceu que se teme que os rebeldes se possam aproveitar da pausa nos combates. Entretanto os confrontos têm vindo a expandir-se em escala, com fortes tiroteios a darem-se na fronteira entre o Iémen e a Arábia Saudita. Já Riade enviou tropas para a cidade de Áden, no sudoeste do país, onde se situa o derradeiro reduto das forças leais ao governo iemenita, que têm levado a cabo uma desesperada defesa, iniciada ainda antes da intervenção da coligação árabe. Esta intervenção de tropas terrestres sauditas é descrita como limitada em escala, mas poderá representar uma lufada de ar fresco para os defensores.

Ainda não se sabe se esta ação poderá anunciar uma mudança na iniciativa da coligação árabe, apontando para uma escalada da campanha para passar a englobar operações terrestres, em complemento dos bombardeamentos.

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No entanto, e tendo em conta a situação no terreno, com os rebeldes a resistir enquanto mantêm a pressão em Áden, e com forças da al-Qaeda a dominar o leste do país, tal poderá ser inevitável. Se isso suceder, contudo, os efeitos na população poderão aumentar ainda mais, tornando todas as possibilidades para fazer chegar ajuda humanitária ainda mais preciosas. Riade também tem sido criticada por empregar armamento cujo uso é limitado por tratado (nomeadamente bombas de dispersão, que deixam grandes quantidades de engenhos por explodir no seu encalço) e por intercetar e desviar aviões vindos do Irão com suposta ajuda humanitária.

Apesar de fazer constantes apelos pelo início de um diálogo acerca da questão iemenita, suspeita-se que Teerão esteja a apoiar os rebeldes Houthis, de índole Xiita, com armamento e treino. Envolvido num duelo pelo domínio do Médio Oriente com a Arábia Saudita, que tem uma posição de liderança entre a mais vasta comunidade Sunita, o Irão pretenderia exercer influência no Levante e no sul da Península Arábica, e assim cercar Riade.

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Será, pois, compreensível que os sauditas se mantenham desconfiados em relação aos objetivos iranianos, ainda para mais quando este últimos têm ingressado em ações questionáveis na região, como sucedeu no caso do cargueiro MV Maersk Tigris.

Como sucede em qualquer conflito, existe na comunidade internacional uma preocupação acerca do que toda a questão trará aos civis. Apesar de se aplaudirem as iniciativas para fazer chegar ajuda, reais ou não, o seu impacto na situação militar irá sempre pesar, no fim. #Terrorismo #Política Internacional