Os civis da segunda cidade mais importante síria, Aleppo, estão a sofrer atrocidades impensáveis, segundo a Amnistia Internacional, citada pela BBC. O mais recente relatório da organização dedicada aos direitos humanos alega que as forças do governo sírio e vários grupos rebeldes cometem crimes de guerra diariamente. De acordo com relatos, o governo sírio terá intensificado nas últimas semanas os bombardeamentos em Aleppo como resposta a uma ofensiva rebelde.

Numa entrevista à BBC, em Fevereiro, o presidente sírio Bashar al-Assad negou categoricamente que as suas forças tenham alguma vez usado bombas barril, um tipo de artefacto explosivo improvisado que consiste num contentor metálico em forma de barril, que é carregado com explosivos, geralmente shrapnel, petróleo ou químicos, e fragmentos metálicos.

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Pelo menos 10 pessoas, incluindo quatro crianças e uma professora, foram mortas no domingo, dia 3 de Maio, quando uma bomba barril atingiu uma creche no distrito de Saif al-Dawla. Zaina Erhaim, jornalista local, disse à BBC, na segunda-feira, que ouviu os gritos de crianças e que viu as equipas de salvamento a tentar retirar as vítimas dos escombros.

Ataques sistemáticos em Aleppo

O relatório da Amnistia diz que de Janeiro de 2014 a Março de 2015, as forças aéreas do governo sírio lançaram ataques sistemáticos, usando bombas barril em áreas de Aleppo ocupadas pelos rebeldes. Os seus alvos incluíram pelo menos 14 mercados públicos, 12 centros de transporte, 23 mesquitas, 17 hospitais e centros médicos, e três escolas. A grande maioria das vítimas dos oito ataques investigados pela Amnistia Internacional eram civis.

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Segundo o Centro para a Documentação de Violações na Síria, um grupo de monitorização gerido por activistas, os bombardeamentos barril mataram pelo menos 3,124 civis e 35 combatentes rebeldes na província de Aleppo durante o mesmo período. "Vi crianças sem cabeça, partes de corpos por todo o lado. Foi assim que imaginei que o Inferno seria," disse um trabalhador de fábrica local, citado pela BBC, descrevendo a devastação provocada por um ataque no distrito de al-Fardous em 2014.

As provas apuradas pela Amnistia sugerem que a campanha aérea em Aleppo tem "deliberadamente como alvos civis e objectos civis". A organização não-governamental referiu que consistia um crime de guerra atacar intencionalmente indivíduos que não estão directamente envolvidos num conflito. "Um ataque sistemático e de tamanha dimensão a civis, quando levado a cabo como parte da estratégia do governo, como parece ser o caso de Aleppo, deveria ser igualmente considerado um ataque à humanidade," lê-se no relatório.

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Os grupos armados da oposição em Aleppo foram também acusados de cometer crimes de guerra por usarem armas, como morteiros e rockets improvisados montados com botijas de gás conhecidos como "canhões do Inferno", em ataques que mataram pelo menos 600 civis em 2014. O relatório também divulga tortura generalizada, detenções arbitrárias e sequestro de civis, tanto por membros de segurança do governo como rebeldes em Aleppo. #Política Internacional #Violência