Convencer as pessoas de que o futuro passará por uma #Alimentação à base de insectos não é fácil, mas tal não tem impedido os especialistas de continuarem a tentar fazê-lo. Há já alguns anos que o assunto é trazido à baila com alguma frequência, enaltecendo-se os benefícios em termos nutricionais e ambientais que a prática de tal alimentação poderá trazer.

No campo das vantagens, os cientistas apontam o alto teor proteico que os insectos possuem, bem como os custos quase inexistentes para os criar e, por fim, a sua baixa quantidade de hidratos de carbono quando comparados com a carne de vaca ou de frango, por exemplo.

Publicidade
Publicidade

Para além do mais, e segundo o Washington Post, estes bichinhos já fazem parte da dieta tradicional de muitos países da Ásia, África, América Central e América do Sul.

Embora alguns restaurantes mais arrojados já tenham começado a servir refeições à base de gafanhotos e grilos, a verdade é que o mundo ocidental mostra-se deveras hesitante em tornar-se insectívoro. Num artigo publicado na revista "Nature", Ophelia Deroy, investigadora na Universidade de Londres, defende que não basta enumerar os benefícios para a saúde e para o ambiente que uma alimentação à base de insectos proporciona. É preciso, acima de tudo, fazer passar uma imagem mais positiva e apelativa destes seres. "A maioria dos insectos que se come no planeta é preparada como parte integrante de pratos já de si chamativos, o que acaba por torná-los uma escolha mais atractiva em relação a outro tipo de pratos mais usuais", adianta Deroy, sublinhando que nestes casos "os insectos são comidos por opção, e não por necessidade.

Publicidade

Esta evidência é esquecida pela maior parte dos estudos e das políticas de alimentação no Ocidente", acrescenta.

Por outro lado, Ophelia Deroy considera que a repulsa poderá não ser o único obstáculo entre os consumidores ocidentais e o mundo dos insectos. A questão pode prender-se com o simples facto de as pessoas gostarem daquilo que já conhecem. "Num caso como este, a familiaridade desempenha um papel fundamental. Normalmente, as pessoas são relutantes em experimentar novas comidas", afirma a investigadora.

Esta poderá ser uma boa razão para explicar o sucesso que as barras energéticas à base de grilos têm tido nos Estados Unidos. Este produto tem uma base conhecida e apreciada por grande parte público: a barra energética. Deroy defende que adicionar insectos a pratos do agrado dos consumidores é o segredo para levar as pessoas a consumi-los. "Temos que aprender a integrar os insectos nas nossas receitas diárias", explica. "De um modo geral, as pessoas comem aquilo de que gostam, e não o que deviam comer. Por isso, é fundamental transformar os insectos em comida que as pessoas apreciem em vez de lhes dizer que são algo que devem comer. Os estudos demonstram que dizer às crianças o que devem, ou não, comer não resulta. Por que motivo seria diferente com os adultos?", finaliza Ophelia Deroy. #Curiosidades