Está confirmado o regresso do El Niño. A Austrália e o Japão asseguraram, esta terça-feira, que o fenómeno se vai voltar a repetir e que terá consequências para todo o planeta. O El Niño provoca um aquecimento generalizado das águas à superfície do Pacífico e tem como repercussão eventos meteorológicos extremos em todo o planeta.

Em abril, os meteorologistas norte-americanos do National Ocean and Atmospheric Administration tinham já previsto o aparecimento do El Niño com uma probabilidade de 70 por cento, embora o considerassem de fraco impacto. Contudo, os cientistas australianos e japoneses apontam agora para um fenómeno especialmente intenso, sendo que as águas da zona equatorial do Pacífico já se encontram com uma temperatura acima da média.

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Prevê-se que os valores possam aumentar ainda mais a partir de setembro.

Outro indício da ocorrência do El Niño é a mudança dos ventos alísios, que estão mais fracos que a média há várias semanas. Segundo o escritório de meteorologia do governo da Austrália, este facto "sugere que alguma ligação entre o oceano e atmosfera pode estar a ocorrer" e que, se o padrão se mantiver ou aumentar, haverá a formação do fenómeno natural.

O El Niño é um fenómeno cíclico que costuma registar-se de quatro em quatro anos e que pode durar entre seis a 15 meses. O último deu-se há precisamente cinco anos, e foi apontado como o responsável pelas tempestades no sudeste asiático, pela seca no sul da Austrália, nas Filipinas e no Equador, bem como pelos nevões nos Estados Unidos, pelas vagas de calor no Brasil e pelas cheias no México.

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Em 2009, o fenómeno climático afetou também as produções de cereais na Ásia e na Oceânia, o que fez disparar os preços nos mercados internacionais e provocou fome e crise económica em vários países. Também as pescas serão afectadas, já que os cardumes têm tendência a desaparecer devido às mudanças climatéricas.

Na Europa, os efeitos do El Niño não costumam ser tão fortes, estando apenas relacionados com invernos mais frios e secos nos países do Norte, e mais húmidos nos do Sul, como é o caso de Portugal. #Ambiente