Rumores acerca da morte do Califa Abu Bakr al-Baghdadi haviam circulado pouco depois de o mesmo ter sido atingido durante um ataque aéreo americano à povoação de al-Baaj, no Norte do Iraque, a 18 de março passado. Apesar de mesmo o Pentágono ter negado estas informações, a verdade é que o Estado Islâmico passou a ser liderado desde então por Abu Alaa al-Afri. Segundo informações agora veiculadas pelo jornal britânico "The Guardian", al-Baghdadi teria sofrido ferimentos graves na coluna, e apesar de estar em tratamento desde então, é pouco provável que regresse às funções durante o futuro próximo. O "The Guardian" ainda acrescenta que o Califa estaria a ser tratado por dois médicos (um homem e uma mulher) que serão ideologicamente fiéis aos ideias do EI, e que, apesar de as informações acerca da saúde do líder estarem a chegar aos militantes da organização, os mesmos possuem grande confiança em al-Afri, pelo que os efeitos na moral serão marginais.

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Recorde-se que o atual Califa havia substituído o líder anterior, Abu Omar al-Baghdadi, após o mesmo ser morto num ataque aéreo americano em 2010. Torna-se por demais evidente que a campanha de ataques aéreos começa a causar um sério atrito na capacidade combativa dos militantes do EI, danificando severamente a infraestrutura militar da organização de índole Sunita.

Dito isto, a verdade é que o EI ainda existe como força combatente, e em lugar nenhum é isto mais evidente do que na Síria. Seriamente pressionadas pela miríade de forças rebeldes com que se defrontam, as tropas leais ao regime de Bashar al-Assad aparentam estar à beira do colapso. Mesmo unidades enviadas pelos seus aliados iranianos e do Hezbollah, que tanta preocupação causaram há umas semanas pela sua proximidade à fronteira israelita, começam a quebrar, reagrupando-se na zona de Damasco, mas aparentemente já sem capacidade de se estenderem para lá da mesma.

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Isto apesar do apoio de Moscovo e de Pequim, que continuam a enviar armamento.

No entanto, já desde o início da crise que o grave problema do governo sírio era a falta de homens. Com o arrastar da guerra e a fragmentação no país, a situação apenas piorou mais. Esta realidade levou as forças rebeldes a recuperar a iniciativa, e neste momento a região fronteiriça perto dos Montes Golã é palco de intensas batalhas entre o EI e diversas milícias rebeldes, incluindo a Frente al-Nusra, alinhada com a al-Qaeda. Num outro palco, em Jisr al-Shugur, 150 tropas governamentais e 200 civis resistem dentro de um hospital a um cerco de outro grupo ligado à infame organização terrorista.

Como já foi referido anteriormente, a situação na Síria é tremendamente complexa, mas existem padrões observáveis. O EI está, de facto, enfraquecido, e onde existe oposição ativa a sua presença é pesadamente contestada, tendo inclusive recuado em várias áreas. No entanto, onde tal oposição não existe, nomeadamente na zona fronteiriça entre a Síria e o Iraque, a organização tem a possibilidade de se manter e de se reconstruir em alguns aspetos.

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Teoriza-se, inclusive, que ao Irão, que também tem uma forte presença junto da liderança iraquiana, interessaria manter o EI vivo, de modo a justificar a sua continuada presença no Levante. #Terrorismo #Política Internacional