Deputados da maioria socialista e da oposição conservadora votaram conjuntamente uma lei que autoriza a vigilância dos cidadãos franceses. A lei foi debatida e aprovada na terça-feira, com 438 votos a favor e 86 contra. Mas a lei votada no parlamento francês terá ainda de ser debatida no Senado. O governo francês anunciou que a urgência da lei justifica-se depois dos ataques islâmicos em Paris, em Janeiro, porque, por causa disso "as pessoas tornaram-se mais radicais". Mas o facto é que a lei tinha sido proposta muito antes dos ataques a Charlie Hebdo, confirmando assim que há um plano político, para vigiar os franceses.

Com esta lei o estado francês pode, através dos seus serviços secretos, colocar aparelhos de vigilância nos domicílios e propriedades dos indivíduos sem autorização de um juiz. Está assim em causa o livre acesso ao direito em França. Se a lei passar no Senado, poderão ser colocadas câmaras e gravadores nas propriedades de indivíduos "suspeitos".

Mas a Internet será o meio de comunicação mais alvejado. Os serviços secretos franceses ficarão autorizados a colocarem "caixas de verificação" para gravar metadados de todos os utilizadores de Internet franceses. Estes dados vão ser sujeitos a análise algorítmica em caso de "comportamento suspeito".

Embora os dados de utilização de Internet sejam anónimos, os agentes policiais podem, sob autorização de uma comissão independente, aprofundar a pesquisa que pode ir até a detecção da identidade dos suspeitos. Mas a lei garante que os "suspeitos" podem apelar a um tribunal administrativo.

As principais críticas à lei são a de que esta que vai legalizar a intromissão na vida privada sem garantir os direitos humanos de liberdade e privacidade. Mas também se está a minar a confiança social e das comunidades, e ocultar o pessimismo económico que a França atravessa.

Os Repórteres Sem Fronteiras comentaram a lei como sendo uma "ameaça à integridade e confidencialidade dos jornalistas". E na segunda-feira houve uma manifestação diante da Assembleia Nacional, organizada por advogados, grupos de direitos humanos e sindicatos para denunciar "métodos de vigilância altamente intrusivos". Os Repórteres Sem Fronteiras também denunciaram que a lei não garante a protecção de jornalistas. #Terrorismo #Política Internacional