A intervenção militar no Iémen liderada pela Arábia Saudita iniciou-se há já 6 semanas, e as previsões inicias de que este seria um longo e custoso conflito parecem estar a revelar-se verdadeiras. Após os rebeldes Hutis terem ocupado a capital Sana'a e pressionado o reduto governamental em Áden, Riade viu-se forçada a intervir diretamente para defender os seus interesses. Enquanto quase 200 caças de 8 países diferentes começaram a sobrevoar o país e mais de 160.000 tropas se acumulavam na vasta fronteira ente o Iémen e a Arábia saudita, os líderes políticos iemenitas, incluindo o Presidente Hadi, fugiam para Riade, de onde passaram a controlar as operações.

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Entretanto, os combates prosseguiram, com as baixas civis a ascenderem aos 1400 mortos, segundo a ONU. Do lado saudita há pelo menos 20 vítimas civis a lamentar, assim como algumas baixas militares.

A primeira perda importante dos sauditas foi de um dos modernos F-15S, caça-bombardeiros bimotores de grande porte. Oficialmente a aeronave terá sofrido uma avaria durante os ataques na noite de 26 de março, que levou ao seu despenhamento no Golfo de Áden, sendo a tripulação depois resgatada por militares americanos. Na semana passada um helicóptero de combate AH-64 Apache despenhou-se perto da fronteira, numa região montanhosa. Novamente os sauditas ligaram a perda a problemas técnicos, mas desta feita os rebeldes Hutis reclamaram o abate do aparelho. Tenha-se em conta que em ocasiões passadas helicópteros do mesmo tipo haviam-se revelado vulneráveis a fogo antiaéreo, mesmo de armas ligeiras, como revelado na invasão do Iraque, em 2003.

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Ambos os tripulantes sauditas foram recuperados.

Ontem deu-se outra perda digna de nota, desta feita de um caça F-16 marroquino. O governo de Rabat recebera 24 desses aparelhos no início da presente década e são o orgulho da sua força área. O aparelho em questão deixara de comunicar desde as 18 horas locais de domingo, e não se voltou a ter notícias do mesmo, nem do piloto. Novamente, os rebeldes reclamam o abate. Todo o incidente se deu durante uma série de duros combates junto da fronteira, que se têm repetido de forma intermitente desde 31 de março.

O objetivo inicial de Riade com esta operação é o de restaurar o governo legal no Iémen, e assim manter a influência na região. No entanto, para além dos confrontos junto da fronteira, os sauditas estão ainda comprometidos na própria cidade de Áden, no sudoeste do Iémen, onde unidades de forças especiais trabalham com as tropas governamentais para expulsar os rebeldes da região. Entretanto o Irão, que é acusado de apoiar os Hutis, tem tentado fazer chegar voos com suposta ajuda humanitária ao Iémen, que têm sido intercetados pela aviação saudita.

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Num outro incidente, um cargueiro foi capturado pela Guarda Revolucionária do Estreito de Ormuz. Em resposta, a marinha dos EUA começou a escoltar navios que atravessam aquela importante via comercial.

O envolvimento de Teerão na crise tem sido alvo de constantes análises e polémicas, sobretudo face à perspetiva de um acordo acerca do seu programa nuclear e levantamento das sanções económicas. Especula-se que o Irão planeie envolver Riade pelo norte (estando a intervir diretamente na guerra contra o EI no Levante) e pelo sul, através dos contactos com o Omã e os Hutis. Toda esta situação coloca em causa a trégua de 5 dias pedida pela ONU, com o objetivo de levar ajuda humanitária à desesperada população civil. #Terrorismo #Política Internacional