A empresária nº 1 de África, com uma fortuna avaliada em cerca de 3 mil milhões de euros, é frequentemente alvo de fortes críticas internacionais. Por um lado, pela suspeita permanente de o seu sucesso empresarial se dever, de alguma forma, à influência ou à pressão do seu pai José Eduardo dos Santos, enquanto presidente de Angola. Por outro, pelo contraste entre a sua riqueza milionária e a pobreza que ainda afeta uma boa parte da população angolana. Contudo, esta empresária discreta e simples, que dispensa chauffeur nos crónicos engarrafamentos de Luanda, rebate as críticas.

Por um lado, a fortuna de Isabel é também um reflexo do crescimento económico que Angola tem experimentado.

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A recente crise petrolífera não faz esquecer que, durante a última década, Angola aproveitou a "boleia" dos preços altos do "ouro negro" para experimentar um dos ritmos de crescimento económico mais elevados do mundo, com taxas de crescimento anual do PIB, por vezes, acima dos 20%. Os investimentos de Isabel começaram precisamente em Angola, onde a sua operadora de telecomunicações Unitel, criada ainda na década de 90 (antes do fim da guerra civil que dilacerava o país, e antes também do "período dourado" de crescimento que se seguiu à paz), não só gerou postos de trabalho, mas também contribuiu para o desenvolvimento tecnológico do país.

Além disso, o sucesso da empresária deriva também do seu envolvimento no exterior. Os investimentos de Isabel dos Santos têm sido especialmente notados em Portugal, onde tem estado envolvida nas maiores movimentações dos mercados.

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Desde Julho de 2012, tornou-se a acionista principal da ZON Multimédia, mais tarde transformada na NOS. Nesse papel, a empresária protagonizou um duelo, enquanto acionista maioritária, com a francesa Altice pela compra da Portugal Telecom, empresa fragilizada pelas suas ligações ao Grupo Espírito Santo, no caso que envolveu a derrocada deste grupo financeiro. E apesar de derrotada pelos franceses, Isabel não desiste da sua aposta em Portugal. No setor da banca, dos Santos está também envolvida nas negociações em torno do futuro do BPI e do BCP, podendo vir a ter uma palavra a dizer, também, no futuro do Novo Banco. Além disso, mantém a sua presença na GALP (em parceria com a Sonangol) e no banco BIC.

O jornalista Filipe Fernandes, que lançou em 2015 um livro sobre a vida empresarial da filha de José Eduardo, afirmou ao jornal Diário Económico que dificilmente Isabel se livrará do "peso" do nome que tem, apesar de ser uma empresária "fria e boa negociadora". A própria Isabel rebate as críticas que lhe surgem, não só da Forbes, mas de outros quadrantes, relativas à influência do pai no sucesso dos seus #Negócios. Afinal, "há muitas pessoas com ligações familiares, mas que não chegam ao sucesso". #Bancos #Política Internacional