"Não estamos a ser governados, mas sim canibalizados", disse o músico Edílson França, com o nome artístico “Nosso Avó”, quando falava sobre o percurso da sua carreira artística. Quando foi questionado sobre o seu ponto de vista, tendo em conta a situação atual de Angola, o músico respondeu: "foi com grande dificuldade que eu sobrevivi durante o período de guerra, e graças a Deus conseguimos alcançar a paz; mas não é a verdadeira paz que eu esperava. Conseguimos acalmar as armas, mas não existe igualdade social; temos ouvido os nossos irmãos a serem mortos, espancados, detidos, ameaçados, e perseguidos, por tentarem reivindicar os seus direitos e liberdades fundamentais que constam na própria Constituição; somos reprimidos, somos explorados e maltratados; não existem boas condições de vida, principalmente nas áreas chave para o desenvolvimento de um país, como a saúde e a educação. 

Se baixamos as armas, e o povo continua a se sentir mentalmente oprimido e excluído da sua própria nação, é porque ainda não existe a verdadeira paz, porque a paz não deve ser oprimida; pelo contrário deve ser libertada, e todos têm a obrigação de conhecê-la e viver com ela. 

Edilson concluiu: "Nós não temos governantes, mas sim canibais, que exploram o povo e quando se cansam ou quando os explorados tentam reclamar o excesso de exploração e a baixa qualidade de vida, são levados para um lugar sem lugar." O artista disse ainda que este é um dos motivos que o fez escolher e continuar com a arte musical, porque com ela consegue libertar-se das angústias que sofre a sua alma, ao ver a crueldade que usam os poderosos para tratarem o seu humilde povo.

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O músico “Nosso Avó” é o presidente de um grupo de rap no Lobito (que nos dias atuais já não tem muito impacto) denominado “movimento de rua”,  que foi o primeiro grupo no município do Lobito e na província de Benguela, em que os seus integrantes preocupavam-se mais em organizar pequenos concertos, para angariarem fundos que serviam de alimentação e alivio para muitos moradores de rua nos arredores dos municípios do Lobito e Benguela. #Política Internacional