A Rússia realiza neste sábado, dia 9 de Maio, aquele que é o seu maior desfile militar, para celebrar os 70 anos desde a vitória sobre a Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial. Mais de 20 chefes de Estado deslocaram-se a Moscovo, entre eles o presidente chinês, Xi Jinping, o presidente da Índia, Pranab Mukherjee, e o Secretário-geral das Nações Unidos, Ban Ki-moon.

Porém, são muitos os líderes mundiais que estão a boicotar as comemorações para protestar contra o papel da Rússia na crise da Ucrânia, mas o Kremlin continua a desmentir as alegações feitas pelo Ocidente de que estará a fornecer armas aos rebeldes do leste da Ucrânia.

Publicidade
Publicidade

O conflito já fez mais de 6 mil mortos desde o seu início, em Abril de 2014, nas regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk.

Um espectáculo de força e poder

No seu discurso, o presidente Putin fez uma homenagem aos sacrifícios dos soldados soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial. O chefe de estado russo agradeceu também "ao povo da Grã-Bretanha, França e Estados Unidos pelo seu contributo para a vitória". Contudo, acrescentou que a cooperação internacional está em risco: "Nas últimas décadas, os princípios básicos da cooperação internacional têm sido ignorados com uma frequência cada vez maior. É visível como uma mentalidade de bloqueamento militar está a ganhar terreno". Estas observações ecoam queixas anteriores de Putin sobre aquilo que ele considera serem os esforços dos Estados Unidos e dos seus aliados da NATO para cercar a Rússia militarmente.

Publicidade

O desfile de vitória começou às 10h00, hora local (07h00 em Lisboa). Segundo a BBC, que está a fazer a cobertura do evento, unidades militares vindas de toda a Rússia estão a marchar na Praça Vermelha, em Moscovo, algumas vestidas com os uniformes usados na Segunda Guerra Mundial. Espera-se ainda que mais de 100 aeronaves sobrevoem a Praça Vermelha. Além disso, novas blindagens estão a ser exibidas pela primeira vez, entre elas os RS-24 Yars, mísseis balísticos intercontinentais, cada um com capacidade para transportar três ogivas nucleares.

Numa demonstração de que as relações entre a Rússia e a China estão mais próximas, uma coluna de tropas chinesas está também, pela primeira vez, a participar no desfile. Desfiles militares de menor escala estão a decorrer noutras cidades russas, incluindo em Sevastopol, na Crimeia - a península no sul da Ucrânia anexada pela Rússia em Março de 2014.

"Um desfile de cinismo"

Os Estados Unidos, a Austrália, o Canadá e a maior parte dos chefes de Estado da União Europeia estão a boicotar as comemorações na Rússia devido ao seu alegado envolvimento na crise da Ucrânia. Na sexta-feira, dia 8 de Maio, a Polónia organizou um evento alternativo para os líderes que recusaram o convite de Moscovo.

Publicidade

As celebrações tiveram lugar em Gdansk e contaram com a presença dos presidentes de vários países, incluindo Bulgária, República Checa, Estónia, Lituânia, Roménia e Ucrânia. Ban Ki-moon também esteve presente.

Num discurso durante o evento, o presidente ucraniano Petro Poroshenko declarou: "Estão a ser cometidos crimes em pleno século XXI, entre eles a agressão ao meu país, a Ucrânia, apesar das lições mais cruéis que o passado nos proporcionou". O líder ucraniano também descreveu os acontecimentos deste sábado em Moscovo como um "desfile de cinismo". #Política Internacional