Entre sexta-feira e sábado passados deram-se violentos confrontos no norte da Macedónia, na povoação de Kumanovo, situada a 40 quilómetros da capital, Skopje. Segundo informações avançadas pelas autoridades macedónias, as forças policiais haviam, esta sexta-feira, iniciado uma operação para desmantelar o que classificaram como um "grupo terrorista", suspeito de estar a planear operações contra instituições estatais do pequeno país dos Balcãs. Ao chegarem à povoação, os polícias foram recebidos com violência, incluindo ações relativamente elaboradas, como uso de atiradores furtivos, armas automáticas e granadas. Alguns dos membros da organização acabaram por se render rapidamente, mas os restantes ofereceram mais resistência, seguindo-se tiroteios violentos que se arrastaram até ao passado sábado, causando a morte de 14 terroristas e 8 polícias.

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A violência levou à fuga de civis da pequena povoação, onde a polícia ainda se encontra neste momento, fazendo buscas de porta-a-porta, com relatos de trocas de tiros ocasionais. Segundo a agência noticiosa albanesa MIA, as autoridades haviam utilizado veículos e helicópteros durante os confrontos, assim como armamento pesado e coletes à prova de bala, demonstrando a escala e violência da situação. Também foi anunciada a captura de 20 terroristas, apesar de ter sido revelado anteriormente que poderia haver até 70 membros da organização em Kumanovo.

A identidade e motivação dos supostos terroristas ainda não foram reveladas. A Ministra do Interior, Gordana Jankuloska, apenas os descreveu como sendo de um país vizinho, mas não foram oferecidos mais detalhes. Existem, contudo, suspeitas de que pudessem ser originários do Kosovo.

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Recorde-se que há apenas três semanas, num outro incidente, indivíduos de etnia albanesa, provenientes do Kosovo, haviam ocupado uma estação de polícia, também no norte do país.

O comissário europeu Johannes Hahn declarou que tudo deveria ser feito para evitar uma escalada da violência. Existem planos para expandir a União Europeia, de momento contendo 28 nações, para os Balcãs, mas a instabilidade na região tem levantando ceticismo em relação a tais projetos. No início dos anos de 1990, a antiga Jugoslávia começou a fragmentar-se, levando a uma série de atrozes guerras motivadas por ódios étnicos que chocaram o mundo. Esse fenómeno prossegue, apesar de se desenrolar de modo mais lento agora. O Kosovo, habitado sobretudo por indivíduos de etnia albanesa, é a mais recente das novas nações da região, tendo-se tornado oficialmente independente da Sérvia em 2012.

Situada imediatamente a sul do Kosovo, a Macedónia tem sofrido também a sua quota parte de problemas étnicos num passado recente.

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Em 2001, uma curta guerra no norte do país terminou com a cedência de maiores direitos à comunidade albanesa (que compõe um quarto da população total do país), mas o conflito nunca foi realmente resolvido, e existe uma tendência para se exigir maior autonomia para a região. Já o próprio governo macedónio tem vindo a sofrer uma crescente pressão popular devido à corrupção e a um iminente escândalo de escutas telefónicas. Na passada quarta-feira, manifestações contra o governo, em Skopje, terminaram em confrontos com a polícia. Também entre os pouco mais de 2 milhões de habitantes do país existe ceticismo em relação à entrada na UE. #Terrorismo #Política Internacional