Uma recente investigação trouxe a público uma das mais complexas situações alguma vez vivenciadas. As organizações de ajuda humanitária e social a nível mundial estão a sofrer uma situação que pode colocar em causa a sua forma de actuação. Em análise encontra-se a forma como alguns dos elementos dos Capacetes Azuis têm actuado nas missões em que participam.

Se a verdade inevitável e incontornável é que a ajuda humanitária que é prestada nas missões de manutenção de paz da Organização das Nações Unidas torna-se essencial - não só para o estabelecimento de harmonia, como também para a obtenção de uma qualidade de vida superior à esperada em determinados locais, que, por inúmeras razões, se encontram num clima desastroso; por outro lado, um Relatório das Nações Unidas divulgado ontem, dia 11 de Junho, revelou que são centenas as mulheres que têm sido forçadas a ter relações sexuais com membros dos Capacetes Azuis, em troca de bens materiais e de dinheiro.

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Ora, muitas foram as pessoas que, ao saber desta situação, criticaram a submissão a que estas mulheres se sujeitam, ao fazer favores sexuais em troca de bens, desnecessários aos olhos deste mundo. Porém, é preciso entender que neste tipo de clima e de ambiente humano, essas mesmas mulheres não têm acesso aos mesmos meios que as mulheres que vivem num país civilizado e nem paz têm. Por isso, a atitude condenável é a dos representantes da ONU que, tendo em conta a missão que lhes é incutida, estão a revelar valores inaceitáveis e que não podem ser compreendidos.

No Haiti foram cerca de 231 as mulheres que tiveram relações sexuais com Capacetes Azuis em troca de serviços e/ou bens materiais, como por exemplo: roupas, sapatos, perfumes, telemóveis, computadores portáteis. Na Libéria mais de 25% das 489 mulheres inquiridas, com idades entre os 18 e os 30 anos, revelaram que tiveram relações sexuais em troca de dinheiro.

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De referir que os Capacetes Azuis têm realizado várias acções humanitárias neste país, tendo tido uma intervenção determinante no combate à Ébola - não só ao nível da saúde, como também na recuperação económica.

Este comportamento viola, determinantemente, as regras da Organização das Nações Unidas que diz praticar uma "política de tolerância zero em relação ao abuso sexual em missões" e "condenar as relações entre Capacetes Azuis e as populações que protegem". É de salientar que apenas sete das mulheres inquiridas conheciam tais regras da ONU, mas não tinham conhecimento de uma linha telefónica confidencial que tem como principal fim a denúncia de abusos.

Esta é uma temática que já foi discutida e ajustada pela ONU há 10 anos atrás, porém, as medidas implantadas não forma suficientemente interventivas e muito menos adequadas. #Violência